Passaram oito semanas após as eleições e Merkel não tem governo

Um governo minoritário, a formação de uma improvável grande coligação ou novas eleições são as opções para formar um governo na Alemanha.

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Por Fernanda Mira

A chanceler alemã, Angela Merkel, está pronta para ser candidata a novas eleições, cenário que prefere ao de formar um governo mino‑ritário, se não for possível uma coligação de governo. Numa entrevista ao canal público alemão ARD, Angela Merkel disse que está “muito céptica” quanto à ideia de formar um governo minoritário.

A União‑Democrata Cristã (CDU) de Merkel venceu as legislativas de 24 de Setem‑bro sem maioria e, em Outubro, iniciou con‑versações para um acordo de coligação com o Partido Liberal (FDP, 10,7%) e com os Verdes (8,9%).

No passado domingo, dia 19, contudo, os liberais anunciaram que abandonam as negociações e o Partido Social‑Democrata (SPD), segunda força política, repetiu que não está disponível para voltar a integrar uma “grande coligação” como a que governou o país nos últimos quatro anos.

A Alemanha, sublinhou Merkel, “precisa de um governo estável que não tenha de procurar uma maioria para cada decisão”. Sem um acordo, as duas alternativas são a formação de um governo minoritário ou a convocação de legislativas antecipadas, decisões que competem ao presidente Frank‑Walter Steinmeier.

Este já indicou que a responsabilidade dos partidos “não pode ser simplesmente devolvida aos eleitores”, pelo que espera que “tornem possível a formação de um novo governo no futuro próximo”. “Haveria incompreensão e grande preocupação, dentro e fora do país, especialmente na nossa vizinhança europeia, se as forças políticas do maior e economicamente mais forte país da Europa não cumprissem a sua responsabilidade”, frisou o presidente.

Contudo, encabeçar um governo minoritário inédito ao nível federal desde a constituição da Alemanha democrática, em 1949 ‑é cenário que Merkel não vislumbra como possível e explicou, ainda, que era importante dar “um sinal de estabilidade” para o país e para o resto do mundo.

Claramente favorável a uma antecipação das eleições é a extrema‑direita da Alternativa seu lado, que o partido espera “resultados melhores” num próximo escrutínio. Entretanto, o presidente do parlamento alemão, Wolfgang Schäuble, pediu aos partidos que mostrem abertura para compromissos e assegurou que o fracasso das negociações para formar governo é “um teste” à Alemanha e “não uma crise de Estado”. “Podemos ter opiniões diferentes sobre como devemos ser governados, mas é claro que temos de ser governados”, disse Schäuble. É legítimo que um partido decida, depois de profunda reflexão, que não quer integrar uma coligação, “mas isso tem de ser explicado de modo lógi‑co, para que não haja a impressão de que está a fugir às responsabilidades”, advertiu.

Os jornais alemães receberam a notícia em choque. Para a Der Spiegel, o país vive o seu “momento brexit alemão, o seu momento Trump”. A maior parte apontou o dedo ao líder dos liberais. O Die Welt, contudo, responsabilizou Merkel e a política de abertura aos refugiados.

 

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