Luís Todo Bom “Os empresários não vão a votos”

A auto-suficiência alimentar deve ser a prioridade da economia angolana. Luís Todo Bom adianta ao Vanguarda as respostas da Indústria 4.0

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Por Ana de Sousa

Indústria 4.0 em Angola, em que é que se traduz?

A Indústria 4.0, ou quarta revolução industrial, não é qualquer coisa que aí vem, já cá está. Está no mundo. E, embora se chame quarta revolução industrial, a Indústria 4.0vai intervir em todos os sectores, primário – agricultura e pescas e indústria extractiva; secundário – indústria transformadora; e serviços.

Como é que a Indústria 4.0pode intervir no sector primário?

Considero que a primeira prioridade da economia angolana não é a diversificação, contrariamente ao discurso oficial. É a auto-sustentabilidade alimentar.

Não há uma modificação no discurso? A referência genérica da diversificação económica deu lugar a medidas mais concretas?

Não conheço pessoalmente o actual Presidente, mas os meus amigos dizem-me que tem uma vantagem: é, ele próprio, agricultor. E os agricultores são resilientes. João Lourenço terá essa sensibilidade para a área agrícola…

Veio a Luanda fazer uma conferência sobre Indústria 4.0, sendo que uma das suas preocupações é a auto-sustentabilidade alimentar e o sector primário. Não é contraditório?

Estamos a falar de uma agricultura diferente, tecnicamente evoluída, com altos níveis de produtividade. Não é regressar às pequenas unidades agrícolas. Gostaria, no entanto, de sublinhar que aquilo a que se chama Indústria 4.0é o conceito, a actividade económica.

Pensar o conceito só como indústria é redutor?

Sim. A utilização de um conjunto de tecnologias ligadas à Indústria 4.0está a transformar as cidades. A certa altura, temos as cidades inteligentes e sustentáveis, onde toda a gente quer viver, quer visitar, assistir a espectáculos…

Onde estão as universidades…

… os investigadores, os tecnólogos, os artistas. Tudo. E as outras, onde ninguém quer ir, viver ou estudar…

O que é que Luanda deve fazer para se tornar numa cidade inteligente?

Luanda, como está, é ingovernável. Detestaria ser o presidente da comissão administrativa de Luanda. A cidade angolana que mais rapidamente se pode tornar numa cidade inteligente e sustentável é Benguela. Valia a pena fazer um esforço para tornar Benguela num case studye fazer da cidade um caso a repetir.

Veio fazer uma conferência para as elites angolanas. Que elites temos por estes dias?

É uma conferência sobre temas tecnológicos ou ligados às telecomunicações. Curiosamente, na área das telecomunicações uma das bases estruturantes da Indústria 4.0–, Angola não está muito mal.