UNITA pode votar favoravelmente o OGE

O líder da bancada parlamentar do ‘Galo Negro’, Adalberto da Costa Júnior, em nome do partido, lança o desafio e aguarda as respostas do Governo para mudar o quadro tradicional do voto contra.

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Por Gildo Matias José e Ana de Sousa fotos Njoi Fontes

Há quem diga que este novo tempo e este novo actor político, que está efectivamente a concretizar a transição política, retiraram algum discurso à oposição…

Fiz há duas semanas uma intervenção numa rádio, e fi-lo com a intenção de responder a essa questão, de desmontar essa má leitura – até porque os órgãos de propaganda do Governo assim o buscam, e mesmo o partido. Comecei por levar para a entrevista o GIP (Governo Inclusivo e Participativo), não para o ler, mas porque estou a ver o chefe do Executivo a falar do GIP, e o GIP tem paternidade. Estamos a inspirar a governação. Esvaziados? Nem a brincar, nem por sombras. Mas eu sou dos que acham que ainda não temos medidas de governação. Vemos uma dança de cadeiras…

Diz que o programa do governo plasma o GIP, e depois vemos uma certa impaciência. É mais fácil ser oposição do que governo, ainda não deram espaço ao novo Executivo…

… a impaciência é uma palavra vossa, não sei onde é que a foram buscar. Não há impaciência, nem ansiedade. O Executivo veio ao GIP buscar inspiração e linhas de orientação. Quem dera que tenha coragem para as implementar. Estamos a um passo de receber, seguramente, o documento mais importante que vai marcar algum início de demonstração de conteúdos…

A proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE).
… que é um documento estratégico sério.

Esta semana vai ter a proposta de OGE?

Obrigatoriamente. Vou abrir um capítulo de que os senhores não estão à espera, estamos na antevéspera da recepção do OGE [a entrevista foi realizada na terça–feira, dia 5 de Dezembro], e a experiência que tem esta casa é sempre assim: o OGE é trazido à AN e depois cumpre-se um calendário. Lamentavelmente, qualquer deputado que tenha aqui um percurso percebe imediatamente que é um calendário para inglês ver, que não tem nenhuma consequência de conteúdos, de melhoria, de ganhos.

Mas, e não por acaso, designa-se por ‘proposta’…

Vamos trazer para aqui a possibilidade de procurar a participação de todos, inclusive dos próprios deputados do MPLA, que muitas vezes dão sugestões que não entram, porque o OGE já está formatado. Tomei a iniciativa de lhes dizer que estamos disponíveis para poder intervir numa formatação de sugestões, de uma auscultação antecipada, no que pode vir a fazer uma alteração do quadro institucional onde as oposições, quase sempre, votam contra o Orçamento. Se houver a coragem de auscultar, de haver disponibilidade para receber conteúdos, de formatar uma proposta com uma participação da UNITA…

Está a dizer-nos que a UNITA pode votar favoravelmente o próximo orçamento de Estado?

O que estou a dizer é que nós estamos disponíveis para o diálogo. Não tente cortar o meu pescoço, porque eu não me vou pôr na mão de um título perigoso quando a entrevista for publicada, mesmo porque não detenho os actos que fundamentam isto. O que lhe estou a dizer é que o desafio está feito.

Vamos supor que vai haver essa mudança…

Não está a haver. Uma iniciativa política de contacto, que pode ser com o presidente da UNITA, com o grupo parlamentar, com os outros partidos, no sentido em que o Governo actual, servindo o paradigma da imagem de maior abertura, de novos tempos, está a mudar a postura tradicional.

A UNITA já desafiou o Governo a mudar, até na expectativa de votar a favor?

Sou dos que acham que vivemos um tempo excepcional, que Angola bateu no fundo. E, quando se bate no fundo, não se sai de lá sozinho. Mas a mudança do paradigma precisa de acções objectivas, e não apenas do marketing.

Exactamente porque não estamos a falar de marketing ou de questões vazias, quais são as propostas que a UNITA tem preparadas para o Orçamento?

Vai ouvi-las, mas não vou antecipar medidas.

O que é que este OGE deve ter para a UNITA votar a favor?

Não sou o decisor exclusivo da tendência de votos da UNITA, conheço aquilo que são as posições do partido, e o presidente Isaías Samakuva já posicionou a UNITA, disse que vai ser parceira do Governo em tudo aquilo que for entendido como do interesse nacional, e vai ser contra em tudo o que penalizar o interesse nacional.

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