Presidente João Lourenço volta a surpreender

Desde o seu discurso inaugural, a 26 de Setembro, que o Presidente da República tem feito uma série de intervenções que apontam para clara mudança de rumo. Há, claramente, um antes e um depois. Espera-se, que haja, então, um antes e um depois também no combate à corrupção.

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“Pretendemos que os angolanos detentores de verdadeiras fortunas no estrangeiro sejam os primeiros a vir investir no seu próprio país se são mesmo verdadeiros patriotas”, o recado está dado, há um tempo para os angolanos agirem, “findo esse prazo, o Estado angolano sente-se no direito de o considerar dinheiro de Angola e dos angolanos”.

Contas feitas pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José Massano, indicam que esses valores andam pelos 30 mil milhões de USD – o equivalente a seis fundos soberanos.

Esta foi uma das ideias chaves que trespassou o discurso do Presidente da República no encerramento de um seminário organizado pelo grupo parlamentar do MPLA, em que o tema central foi o combate à corrupção ou a pedagogia do comportamento dos agentes políticos da gestão da coisa pública.

Não por acaso, o Presidente João Lourenço, no mesmo discurso, devolve ao parlamento a acção fiscalizadora do Executivo. “Esperamos que desta vez finalmente, e ao cabo de muitos anos de indefinição, o Parlamento exerça de facto a sua função fiscalizadora do Executivo, nos termos previstos na Constituição e na Lei”, disse João Lourenço.

Sem deixar ninguém de fora, e menos ainda o partido de que é vice-presidente, João Lourenço apelou a uma “discussão aberta e descomplexadas” sobre “conceitos universais” em “Estados democráticos e de direito como o nosso”, uma discussão que tem de ser liderado pelo “Partido e Estado, na mesma direcção e com o mesmo firme propósito”, para a seguir reconhecer uma iniciativa “que peca apenas por ser tardia se tivermos em conta que o país vive em paz há 15 anos”, não deixa, por isso, de reconhecer a parte que lhe cabe de culpa na “direcção do MPLA, como órgão colegial” que “assume colectivamente a responsabilidade do que se passou, e que se deveu à nossa inacção e de cujas consequências está hoje o país a pagar”.