Preço do euro nas ruas “dispara” 22% desde Outubro

Uma nota de 100 EUR custava, a meio desta semana, cerca de 54 mil Kz nas ruas de Luanda, face a cerca de 42 mil em Outubro. O dólar também está mais caro. Há menos divisas e, como sempre nesta época do ano, mais procura.

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Por André Samuel

O preço do euro no mercado cambial paralelo de Luanda subiu cerca de 22% desde Outubro, segundo contas do Vanguarda com base numa ronda por alguns pontos da cidade onde se vende, ilegalmente, moeda estrangeira. Nesta quarta-feira, uma nota de 100 EUR estava a custar cerca de 54 mil Kz. Em Outubro, custava 42 mil Kz. Quanto a uma nota de 100 USD, pode ser comprada por cerca de 41 mil Kz.

Na origem da subida, de acordo com fontes do Vanguarda, estão as operações desenvolvidas pelas autoridades para desmantelar os principais pontos de venda ilegal de divisas, nas últimas semanas, que reduziram a disponibilidade de moeda estrangeira no mercado paralelo Outra razão que justifica a subida é a forte procura por parte de expatriados que, nesta fase do ano, viajam para a sua terra de origem e, não conseguindo comprar divisas na banca comercial, recorrem às quinguilas que se encontram um pouco por toda a cidade.

“Muitas empresas, pela confiança que têm em nós, pedem euros, pagam-nos antecipadamente, e arranjamos a quantia”, explica um vendedor. “Antes, podíamos dar o que pediam de uma só vez, agora temos de juntar, porque neste mês estão a pedir mais”, explica.

Quanto ao dólar, o preço depende da série. A compra de uma nota de 100 USD da nova série, nas ruas, está a 43.500 Kz, mais 10% face a finais de Outubro. Já a venda, está a 41 mil Kz, um aumento de 9% no mesmo período. No que se refere à série antiga, obtivemos apenas o preço da troca, que ronda os 39 mil Kz, actualmente.

O Plano Intercalar do Executivo (Outubro de 2017-Março de 2018) preconiza uma desvalorização da moeda nacional, para que os valores do câmbio nos mercados formal e informal se aproximem. A taxa oficial (BNA) do dólar está em cerca de 166 Kz, enquanto o euro está em 186 Kz. Os bancos comerciais aplicam depois um spread, que varia consoante o tipo de operação (transferência ou compra ao balcão).

“Para o Quadro Macroeconómico de Referência 2018, prevê-se o ajustamento controlado da taxa de câmbio, com vista à redução do diferencial cambial entre os mercados formal e informal, a flexibilização do mercado, sem prejuízo da estabilidade do nível geral de preços da economia”, refere o Plano.

Segundo o documento, de 2013 a 2017, as taxas de câmbio nominais dos mercados primário, secundário e informal depreciaram-se 70%, 71% e 261%, respectivamente. “Esta depreciação considerável da taxa de câmbio do mercado informal, que tem maior impacto sobre as expectativas dos agentes económicos, visto que grande parte das transacções cambiais ocorre neste mercado, reflectiu-se no aumento do nível de preços e criou, certamente, distorções consideráveis à economia real”, refere o documento.

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