‘Podemos’ pode colocar CASA-CE em causa

É um aviso aos partidos a reboque do líder da coligação, Abel Chivukuvuku.

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Por Agostinho Rodrigues

Há mais uma formação política na cena política nacional. Chama-se Podemos Juntos por Angola (Podemos-JA) e foi apresentada no fim-de-semana passado, em Luanda, cinco anos depois de, em 2012, Abel Chivukuvuku ter lançado a CASA-CE.

E a sua formação está a causar divisões na coligação, pois há quem pense que os membros que o formaram poderão ter de sair da CASA-CE… até que a formação seja oficialmente integrada no movimento liderado por Abel Chivukuvuku. O chamado núcleo duro independente da coligação apresentou, no último sábado, as suas linhas programáticas, mas Abel Chivukuvuku negou qualquer associação pessoal ao movimento. “Sou presidente da CASA-CE, não sou membro do Podemos-JA, nem vou liderar este partido”, cuja comissão instaladora é liderada por Samuel Jaime.

A não transformação da CASA-CE em partido político, segundo Samuel Jaime, coordenador da comissão instaladora do Podemos–JA, está na génese da criação do novo partido. Em causa, explicou, está o facto de haver elementos na coligação a desenvolver actividade política sem qualquer vínculo a algum dos partidos que constituem a coligação.Procurando clarificar o que considerou um “pequeno equívoco”, o político revelou que o Podemos-JA se dirige aos que têm feito política no seio da CASA-CE, na qualidade de independentes, passando agora a desenvolver essa actividade no novo partido.

O novo partido não é “obra do acaso”, defendeu, por seu turno, Abel Chivukuvuku, que, dirigindo-se aos independentes presentes na sala, num hotel em Luanda, lembrou que eles decidiram “dar outro passo”. Por isso, acabaram-se os independentes. “Já não vai haver mais independentes, vai haver pessoas com estatuto igual, mas não é o estatuto igual que nos anima, é o papel que desempenhamos para bem do nosso concidadão”, afirmou. “Temos de ter a audácia de dar os passos necessários em cada momento da história, porque a vida nos ensina, também, que nem sempre os actores da história têm noção da importância do papel que desempenham”, acrescentou.

O líder da CASA-CE reafirmou o seu compromisso com Angola e os angolanos. “A minha agenda pessoal é Angola. Não é o parlamento, nem ser ministro, nem é ter cargos executivos. São os milhões de angolanos que sofrem, milhões de jovens que não têm perspectivas e não sonham, e as mamãs que andam nas ruas, as zungueiras”, realçou.

A constituição do Podemos-JA visa, de acordo com os seus promotores, transformar a CASA-CE numa coligação eleitoral composta, exclusivamente, por partidos políticos, e pretende conferir maior solidez e vitalidade às suas estruturas, tornando-a mais adequada à luta democrática para a conquista do poder.

Mas este parece não ser o entendimento dos demais partidos integrantes da coligação, que, segundo Abel Chivukuvuku, declinaram o convite para participarem na assembleia constituinte da nova força política. “Convidei pessoalmente o vice-presidente Manuel Fernandes, Alexandre Sebastião André e outros. Comunicaram-me que não vinham”, disse.“Eu fui ao congresso do Bloco Democrático

(BD), do Partido de Aliança Livre de Maioria Angolana (PALMA), do Partido de Apoio para a Democracia e o Desenvolvimento de Angola–Aliança Patriótica (PADDA-AP), Partido Pacífico Angolano (PPA)… porque não podem vir à reunião do Podemos? Se estamos todos juntos, porque não podem vir?”, questionou Abel Chivukuvuku. O responsável mostrou-se solidário com os mentores do ‘novo rebento’, sublinhando. “Não tenham dúvidas, fui independente e estou solidário convosco”, disse, dirigindo-se à plateia. Chivukuvuku deixou perceber nas entrelinhas que, se prevalecer o impasse na transformação da CASA-CE em partido, o Podemos-JA poderá avançar sozinho. Mas, nesse cenário, será o desmoronar da coligação eleitoral.

A CASA-CE tem como principal pilar Abel Chivukuvuku, pelo facto de os partidos que a integram não disporem de protagonismo nem relevância no País. A concretizar-se o fim da CASA-CE, poderá ocorrer a extinção desse conjunto de partidos sem expressão, já que não conseguiram atingir 0,5% dos votos. “Tudo dependerá dos caminhos que tivermos no futuro, das nossas atitudes conjuntas, das nossas vontades. Tudo dependerá de termos todos o mesmo sonho para Angola, e não interesses diferentes”, avisou. Por sua vez, Manuel Fernandes, um dos vice-presidentes citados por Abel Chivukuvuku, justificou a sua ausência no acto de apresentação da mais nova formação política com o facto de estar numa outra reunião de concertação sobre o surgimento do novo partido. “Não tinha de estar de acordo ou em desacordo. A formação daquele partido decorre da vontade dos seus promotores”, afirmou.

Educação, liberdade e desenvolvimento são as divisas do novo partido, cuja bandeira contém as cores azul, branca e amarela, e uma mão cerrada, simbolizando a unidade. As cores são muito semelhantes às da própria coligação, pelo que, ao que o Vanguarda apurou, poderão sofrer alteração até à sua confirmação ao Tribunal Constitucional.

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