Os desafios da nossa diplomacia

Há novos embaixadores para os países ditos de primeira linha. Nesta semana, o PR renovou o elenco diplomático, mais adaptado às novas exigências, também, de recursos.

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Por Gildo Matias José

No seu discurso de investidura João Lourenço definiu, em traços muito gerais, as suas prioridades na política externa, elencando os países com que quer estabelecer uma relação de preferência, de onde excluiu Portugal. A política externa angolana há muito se deixa levar pelas ocorrências, ou vozes ruidosas, mesmo face ao relacionamento com Estados cujos laços de irmandade são históricos. Para o bem ou para o mal, é aí que se inclui Portugal – as relações sociais, culturais e económicas são muito fortes, por razões óbvias. E, mesmo quando tensas, são afectivas.

Num mundo cada vez mais globalizado e pulverizado, com a multiplicação dos ‘centros de decisão’, a diplomacia tem um papel ainda mais relevante. Numa altura em que os bons ventos são favoráveis à imagem externa de Angola e do seu PR, não devemos deixar de repensar estrategicamente o nosso lugar e papel no mundo. Hoje, a diplomacia assume-se, essencialmente, como uma extensão da política económica. Tanto que, do nosso ímpeto de potência regional, nos resta o prestígio de um processo de paz exemplar e com responsabilidades na estabilidade regional.Com o gigantesco desafio de diversificar a economia, a diplomacia deve assumir uma abordagem mais económica e persuasiva de captação de investimento externo. As embaixadas podem servir como ‘câmaras de comércio’, para ‘vender’ as nossas potencialidades e captar a atenção dos investidores, dando vantagens partilhadas, ao mesmo tempo que, por cá, devemos alcançar a melhoria efectiva do doing business, combate à corrupção, desburocratização e políticas atractivas (fiscais, monetárias e cambiais).

É nesse contexto que os actores da nossa diplomacia assumem relevância. O perfil e a gestão de carreira dos diplomatas devem assentar numa visão de conjunto e congruente com os objectivos da política externa. A diplomacia não deve ser encarada como ‘a casa de repouso dos políticos’, e menos ainda como um sector para acomodar quadros sem adequado perfil.  A nossa diplomacia, tal como a nossa democracia, está mais exigente.

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