Habitec quer suprir falhas no mobiliário escolar

A fábrica confecciona mobília escolar e materiais de construção feitos de madeira local para atender o programa nacional de reabilitação de escolas.

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Por Líria Jerusa

A angolana Habitec, dedicada à produção de mobiliário escolar, afirma estar em condições de atender e cobrir as necessidades do País, de acordo com o seu director executivo, Felisberto Capamba.

Segundo o gestor, a empresa tem capacidade de produzir diariamente cerca de 500 carteiras escolares, mas, devido à escassez de divisas, reduziu o número para 350 unidades, colocando no mercado cerca de 7700 carteiras por mês.

O País vem debatendo-se há anos com a questão da distribuição de equipamento escolar, particularmente os assentos, verificando-se ausência do mesmo em algumas instituições públicas.

Entretanto, o director aponta a aposta nas empresas com capacidade de produção local e a obrigatoriedade de manutenção dos equipamentos, antes do arranque do ano lectivo e no decorrer do mesmo, como as possíveis soluções para a amenizar tal situação. Avança ainda que o facto de os equipamentos importados serem de “baixa qualidade”, e feitos com estruturas de alumínio de pouca resistência revestidas com imitação de madeira de pouquíssima duração, que se transformam em sucata de difícil reparação antes mesmo de o ano lectivo terminar, permite que assunto seja agravado. “Se apostarmos em produtoras locais que fornecem equipamentos à base de ferro e madeira maciça, equipamentos de longa duração e de fácil recuperação, poderemos reduzir estes problemas”, referiu.

Acrescenta também que “parte da mercadoria importada são maioritariamente equipamentos cujo custo na Ásia (China) é de menos de 10 USD por unidade, e no entanto é comercializada ao Estado por “oportunistas” por mais de 100 USD cada unidade”, explicou. Apesar de a matéria-prima principal ser comprada a nível nacional, o director afirma que a mesma tem enfrentado dificuldades na obtenção de alguns insumos que contribuem para a produção, entre eles, verniz, cola para madeira e estruturas metálicas específicas para os equipamentos escolares devido à ausência de indústrias deste ramo e de divisas.“Infelizmente, no País, foram feitos pouquíssimos investimentos na área de transformação do ferro em estruturas para atender a produção de mobiliários, e vamos produzindo com o que há disponível, para suprir esta limitação sempre que possível”, explicou. Avança ainda que as poucas empresas que se dedicavam à produção destes insumos têm excessiva dependência de componentes importados, e isto limitou a sua actuação face às dificuldades e obrigou a mesma a depender dos parceiros internacionais que ainda vão cedendo algum crédito, apesar de estar a esgotar-se a tal credibilidade, devido à falta dos cambiais.

A empresa tem em carteira outros investimentos na área de transformação da madeira, nomeadamente na produção em escala de portas e janelas. “Está em curso um investimento com apoio do Programa de Investimentos ao Sector Privado em África, dos Países Baixos, cujo objectivo é a ampliação e a modernização da capacidade operacional”, disse. Quanto à medida adoptada pelo Estado sobre o corte de madeira em toro e serrada, o responsável afirmou que as mesma não afecta na produção da empresa, que tem como matéria-prima a madeira extraída do eucalipto, o que constitui uma vantagem para a Habitec.

“O projecto foi concebido já pensando nestes desafios e sobretudo na questão da protecção ambiental, é por esta razão que somos pioneiros cá, em Angola, no uso da tecnologia que tem como matéria-prima a madeira de eucalipto, que é uma planta de viveiro, não é nativa, e de crescimento rápido”, explicou
A empresa tem actualmente cerca de 60 colaboradores, e actua no mercado há pelo menos 20 anos.

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