Cinfotec disponibiliza mais 60 vagas para jovens carenciados

O programa vai privilegiar a formação de jovens com a 12.ª classe provenientes de comunidades pobres e de lares de acolhimento.

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Por Estêvão Martins | Fotos  Carlos Muyenga

O projecto Bolsa Jovem, que tem por objectivo financiar a formação de pessoas carenciadas apresentado em Janeiro último pelo Centro Integrado de Formação Tecnológica (Cinfotec), em Luanda, dispõe de mais de 60 vagas, anunciou ao Vanguarda o seu director-geral, Gilberto Figueira.

Fazendo o balanço dos primeiros 30 dias desde a abertura do ano lectivo e lançamento do programa (18 de Janeiro), o responsável explica que nesta altura prossegue o processo de inscrição, quer na unidade do Cinfotec localizada no Distrito Urbano do Rangel, quer em Talatona, no sul de Luanda. Gilberto Figueira sublinha que o Bolsa Jovem conta com diferentes parceiros, que se prontificaram a abraçar o projecto, onde se encontram empresas e particulares, que vão apadrinhar a formação dos jovens.

Além do músico C4 Pedro, que se propôs financiar seis bolsas formativas, e as empresas Ango Cajú e Robert Hudson, esta última que trabalha com o Cinfotec há já algum tempo, garantiram apoio ao projecto. Por outro lado, Gilberto Figueira aguarda pelo apoio de alguns bancos, que manifestaram a intenção financiar o projecto. Com o fim o processo de inscrição, que decorreu até ontem, dia 1 de Março, em acto contínuo os candidatos serão submetidos a testes de português, matemática, física e cultura geral, a fim de avaliar os seus conhecimentos.

A seguir, afirma o responsável, os jovens deverão passar por uma entrevista para avaliar o conteúdo da carta na qual solicitam a bolsa. Os que forem seleccionados, segundo Gilberto Figueira, em função dos resultados dos exames, deverão beneficiar da bolsa. A iniciativa surge em resposta às solicitações, sobretudo de jovens carenciados,
alguns dos quais filhos de antigos combatentes, que manifestaram interesse em frequentar alguns dos cursos técnicos disponíveis naquele centro. “Perante tal situação, contactámos o Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE) para avaliar a possibilidade de se custear a formação destes jovens, ao que a instituição nos comunicou a falta de cobertura das bolsas da instituição para o sistema de estudo do Cinfotec”, informou. Apesar disso, adianta Gilberto Figueira, a direcção do centro não cruzou os braços, e criou o projecto Bolsa Jovem, cujas vagas serão distribuídas de acordo com a contribuição dos patrocinadores, cujo número pode ascender aos 60 beneficiados. Destaca que, inicialmente, terão prioridades jovens com a 12.ª classe, provenientes de comunidades e de lares de acolhimento. “Vamos dar a cana para que eles possam pescar, formarem-se, terem qualificação técnica profissional, que posteriormente lhes permitirá obter bons empregos ou até trabalhar de forma autónoma”, disse.

Gilberto Figueira considera que o conhecimento é o recurso mais importante das organizações, e as pessoas constituem o seu poder e riqueza. Deste modo, considera importante que se continue a apostar na formação, para que os cidadãos adquiram competências técnicas que lhes permitam desenvolver organizações e alavancar a diversificação da economia.O Cinfotec Talatona, para o ano de 2018, tem disponíveis mais de 70 cursos. Já o Cinfotec Rangel, que entrou em serviço apenas em Setembro do ano passado, vai oferecer mais de 35 cursos, com destaque para as áreas de transporte e logística, para os quais existe uma grande procura, bem como para a área de electricidade e mecânica.

Uma das particularidades do Cinfotec Rangel é que, para além de disponibilizar cursos cujo perfil de entrada é o ensino médio ou a frequência da 12.ª classe, tal como em Talatona, também tem cursos para candidatos com a 10.ª classe. Entretanto, de acordo com Gilberto Figueira, um terceiro centro de formação começará, este ano, a ser construído na província do Huambo por uma empresa chinesa.

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