O princípio da incerteza

O actual momento da vida política nacional denota, no campo dos sintomas e das percepções (objectivas e subjectivas), um momento de transe, manifestações, aliás, que são perfeitamente normais e previsíveis em processos políticos transitórios, salvaguardadas que devem ficar as nuances mais idiossincráticas, social e politicamente falando, como o nosso caso não deixa de ter.

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Por Gildo Matias José

Portanto, continuamos na espuma da transição política que se vive no País. O actual momento da vida política nacional denota, no campo dos sintomas e das percepções (objectivas e subjectivas), um momento de transe, manifestações, aliás, que são perfeitamente normais e previsíveis em processos políticos transitórios, salvaguardadas que devem ficar as nuances mais idiossincráticas, social e politicamente falando, como o nosso caso não deixa de ter. Se quisermos, trata-se de, no plano das intenções e da narrativa vigente, de uma catarse.

A questão de fundo é que as catarses políticas, na sua maioria, podem resvalar para o descontrolo do pathos(afectos, paixões, excessos), que se configuram, sempre, um caminho muito tentador e, ao mesmo tempo, uma faca de dois gumes. Os sinais mostram também uma gritante falta de memória de algumas individualidades e colectividades.

Repare-se que, por exemplo, repentinamente, ninguém sabe de nada, ninguém nunca fez nada, somos todos santos, ou, numa versão contrária, somos todos culpados. Até a pólvora está por descobrir. É perfeitamente normal que estejamos, muitos de nós, perdidos nessa espuma, e as razões não têm de ser, necessariamente, más. Mas, volto a sublinhar, o País precisa mais diálogos(conhecimento, racionalidade, estratégia), do ethos(moralidade, ética, e responsabilidade) e de um novo agir (acting for) para transformar, positivamente, a nossa realidade, concretizando soluções possíveis, a curto, e sustentáveis, a médio e longo prazo. Qualquer que possa ser o preço das correcções que temos de fazer aos males e das melhorias que temos de acrescentar ao que está bem, o caminho não pode ser o do justicialismo caciquista, nem tão-pouco o combate à impunidade e à corrupção deve ser encarado como perseguição de A ou B. Ponderação, sobriedade e sabedoria, precisam-se, pois, acima de tudo, deve estar o País.

Termino lembrando uma lição importante de Werner Heisenberg (alemão, prémio Nobel da Física em 1932): quanto maior a precisão na determinação da posição do electrão, menor é a precisão da determinação da sua velocidade ou da quantidade dos seus movimentos – e o inverso é também válido, isto é, quanto maior for a precisão da determinação da velocidade da quantidade de movimentos do electrão, menor será a precisão da terminação da sua posição.

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