Cresce a ameaça terrorista em África – 500 ataques na última década

O extremismo islâmico tem feito uma escalada na sofisticação e na progressão dos ataques. Os mais recentes ocorreram na RD Congo, país vizinho de Angola.

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Por Ana de Sousa

A ameaça dos grupos jiadistas e terroristas transnacionais que operaram em território do continente africano cresceu de forma constante ao longo da última década. Um recente relatório da Foundation for Defence of Democracies, uma organização não partidária sediada em Washington, dá conta da crescente actividade do extremismo islâmico nos países africanos, que se multiplica em ataques e número de mortos.

As acções dos grupos terroristas alargaram-se, do Norte de África à África Austral, numa inquietante escalada que chegou à República Democrática do Congo (RDC), que faz fronteira com Angola, há já algum tempo. Notícias recentes dão conta de mais um ataque que vitimou mortalmente sete pessoas e que terá sido perpetrado por rebeldes islamitas ugandeses. O acto terrorista foi confirmado por uma fonte militar congolesa citada pela France Presse e aconteceu na aldeia de Eringeti, no Leste da RDC, no primeiro sábado deste mês de Março.

De acordo com o relatório da Foundation for Defence of Democracies, entre 2007 e 2011, os jiadistas organizaram e executaram 132 ataques contra interesses ocidentais em África, número que triplicou, entre 2012 e 2017, para 358. Em 10 anos, há a registar 490 ataques, que se traduzem em centenas de mortos, milhares de feridos e um incontável número de migrantes.

O estudo, conhecido em 28 de Fevereiro, revela que há maior elaboração e sofisticação nos ataques perpetrados, o que permite que as organizações jiadistas sejam capazes de penetrar em instalações com elevado nível de segurança. Um dos grupos líderes neste tipo de acções são os somalis do Al–Shabaad, que combinam o uso de veículos armadilhados com assaltos à mão armada.

O relatório foi conhecido dias depois de o Al-Shabaad – que em Outubro do ano passado terá executado um duplo atentado
em Mogadíscio que matou mais de 200 pessoas – ter realizado outro ataque (em 24 de Fevereiro), de novo na capital da Somália, que resultou na morte de 35 pessoas e em dezenas de feridos, em grande parte civis. Imediatamente a seguir, em 2 de Março, o Nusrat al-Islam, o mais relevante grupo extremista do Sahel, reivindicou o ataque à embaixada francesa em Ouagadougou, no Burquina Faso, que provocou a morte a 18 pessoas – entre elas, oito soldados. Foi também um ataque combinado entre carros armadilhados e homens armados.

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