Norberto Garcia: O gradualismo territorial é ponto assente para o partido do poder

Na semana em que o vice-presidente, João Lourenço, presidiu à reunião do secretariado do bureaupolítico do partido, fazemos o balanço possível de um ano que se adivinha decisivo.

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Por Ana de Sousa

A proposta de lei sobre o repatriamento de capitais, e submetida à Assembleia Nacional (AN) pelo Executivo, foi debatida, esta semana, no secretariado do bureau político. Parece que o partido foi a reboque do Governo?

A bancada do MPLA apoia a proposta do Executivo. O MPLA quer apoiar o Presidente da República (PR) neste processo, que passa por defender o repatriamento voluntário.

Ainda estamos numa fase benevolente, no apelo a actos voluntários?

O PR, ao fazer esta defesa, está a ser inteligente, cria um incentivo não coercivo, para que as pessoas que estejam nessa posição não tenham dificuldades operacionais.

Isso explica que a lei tenha tido um carácter de urgência que se foi diluindo?

É preciso que as coisas sejam bem feitas. O Executivo propôs, e nós, MPLA, estamos aqui para, em conjunto com o Executivo, caminharmos em prol de um conceito mais atractivo, mais inteligente, mais funcional. Porque o essencial é trazermos meios financeiros para financiar os projectos. O País não quer ver sangue.

E uma eventual fusão com a proposta de lei da UNITA?

Se a posição do partido da oposição for útil para o País, será aproveitada. O MPLA não se furta a apoiar matérias que sejam propostas pelos outros partidos.

Está a dizer-me que no debate na especialidade pode haver a confluência das propostas?

Estou a dizer que aquilo que o MPLA entender ser útil para a lei, o MPLA vai aproveitar.

O partido criticou o Executivo na sua acção relativamente à greve dos professores?

O partido não criticou o Executivo. E não o criticou porque entendemos que há aspectos que do ponto de vista legal devem ser observados, e que não estão esgotados. Este caderno reivindicativo vem desde 2013, e há aqui uma série de matérias que não terão sido muito bem observadas, quer num lado quer no outro, e que, à cautela, o que se deve propor é que sejam esgotadas todas as vias negociais, para que se faça o que é mais importante para as partes. Não queremos os jovens fora do sistema escolar. Fazemos o apelo patriótico: professores, voltem às aulas.

Sabia-se que uma maior abertura seria acompanhada de um movimento mais reivindicativo. O partido está preparado?

O MPLA está preparado por antecipação. Desde 1992, quando saímos de um sistema monopartidário para uma sistema multipartidário, que o partido mais bem preparado para um sistema democrático é o MPLA. Um partido bem preparado que está a lidar mal com a questão da bicefalia? Não está a lidar mal. Trata-se de uma transição inédita. O que está a ver são tão-somente interpretações diferentes para um assunto simples: temos, neste momento, um Presidente da República, que é o camarada João Lourenço, que é vice-presidente do partido. E não está lá de forma inocente, está lá por alguma razão. Isto é muito claro. A transição tem as suas etapas de execução. A última reunião do comité central recomendou uma reunião do bureaupolítico, para este mês, e uma reunião do comité central, em Maio, para fechar este assunto.

 

 

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