Mundial: Árbitro angolano partiu para a Rússia com “sonho” de apitar a final

Gerson Emiliano, professor de matemática, teve muitas dificuldades em adquirir divisas para seguir viagem.

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O árbitro assistente internacional Gerson Emiliano, professor de matemática e o único árbitro angolano presente no mundial de futebol da Rússia, despediu-se hoje de Luanda, e levou na bagagem o “sonho” de apitar a final.

Gerson Emiliano, de 34 anos, será o segundo árbitro assistente angolano a marcar presença num Campeonato do Mundo de futebol, cumprindo nova etapa de um sonho chamado futebol, que concilia com as aulas.

“Penso chegar à final, isso requer muito trabalho, requer fatores alheios à nossa vontade. Mas desde já estou preparado, que o primeiro jogo é uma final, para mim, e o segundo jogo será a próxima final. E a final das finais será final do mundial”, justificou o árbitro.

O angolano espera chegar à decisão final, no jogo em 15 de julho, em Moscovo, mas se isso não acontecer, estará feliz na mesma.

“Estarei feliz por realizar as primeiras finais possíveis que me forem concedidas”, explicou o árbitro, à margem da cerimónia de despedida, no Ministério da Juventude e Desportos, em Luanda, antes da partida para a Rússia.

O árbitro assistente internacional angolano Gerson Emiliano dos Santos foi indicado pelo Comité da FIFA para estar presente no Mundial2018, que decorre na Rússia de 14 de junho a 15 de julho. É o segundo juiz angolano a participar num Mundial de futebol, depois de Inácio Manuel Cândido, em 2010, na África do Sul.

Acredita que este pode ser apenas o seu primeiro de vários mundiais de futebol, mas promete lutar por um lugar entre os melhores árbitros da competição: “Até onde for possível. Estamos preparados para todos os jogos. Estamos preparados para a missão e se nos for concedida a oportunidade vamos procurar chegar o mais longe possível”, afirmou.

Nascido na cidade do Lubango, capital da província da Huíla, onde vive, Gerson iniciou a carreira como árbitro auxiliar nas competições locais em 2004 e dois anos depois foi promovido a assistente nacional.

Ainda assim, o árbitro viveu a dias de aflição, antes da partida, por não conseguir divisas para a viagem, devido à crise cambial em Angola. O problema só foi resolvido em cima da hora de viajar para a Rússia.

“Ficou tudo ultrapassado”, garantiu, após intervenção de um banco angolano, para desbloquear a situação. Resta por isso o objetivo: “Cumprir o meu dever e chegar o mais longe possível”.

Com a seleção angolana, uma vez mais, fora da competição, Gerson Emiliano é por estes dias motivo de “regozijo” para a ministra da Juventude e Deporto de Angola, numa comitiva que integra ainda dois estudantes, menores de idade, convidados.

“Se o nosso árbitro conseguiu chegar até este alto patamar é porque soube aproveitar as oportunidades. Soube colocar o seu esforço em evidência”, destacou a ministra Ana Paula do Sacramento Neto, na cerimónia de despedida.

Apesar de pequena, a governante considera que a comitiva angolana é “motivo bastante para que outros fiquem mobilizados” para o desporto, no país.

“Estamos felizes com esta pequena representação. Vamos todos continuar a trabalhar para que o país esteja representado em maior número em próximas edições”, acrescentou.

Com uma presença numa fase final do mundial, em 2006, em Angola ainda sonha com o regresso dos “palancas negras” à alta-roda do futebol internacional, como assinalou Ana Paula do Sacramento Neto, dando como exemplo Gerson Emiliano.

“Estivemos uma vez no campeonato no mundo, mas queremos que a seleção, ainda que não seja de forma permanente, esteja lá. Por isso é que estamos a trabalhar com a federação no sentido de termos um futebol organizado. O futebol é o país, o futebol é a nação”, justificou.

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