Conversas com Propósito lançam pistas para desenvolvimento de Angola

Cerca de três dezenas de confrades do S&ER juntaram-se ao pequeno-almoço para, em Conversas Com Propísito, apontarem caminhos para o desenvolvimento do País.

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Por: Ricardo David Lopes

A educação, a diversificação da economia, a modernização do aparelho do Estado, o combate à corrupção e uma mudança de mentalidade são os principais factores críticos para que Angola consiga desenvolver-se de forma inclusiva, concluíram hoje em Luanda os participantes na 2.ª edição do Conversas com Propósito, um think tankoriundo do grupo do whatsaapp Social & Economic Reflections(S&ER).

O evento, que contou com a presença de cerca de três dezenas de confrades do S&ER, teve como speakers Angélica Paquete (administradora executiva da Recredit), Vera Daves (secretária de Estado para as Finanças e Tesouro), José Octávio Serra Van-Dúnem (docente universitário), Carlos Rosado de Carvalho (jornalista) e José Dinis Dungo (administrador da AGT), incluiu um debate moderado pelo jurista Gilberto Luther e pelo jornalista Adebayo Vunge.

Mas nestas CCP– sob o lema Angola: Factores críticos para a retoma do desenvolvimento socioeconómico-, e que decorreram no restaurante Alma, em Talatona, todos se ‘despiram’ dos seus títulos e funções oficiais – tal como no S&ER– e falaram sem preconceitos do que está mal e bem no País. E dos caminhos a seguir.

Dinis Dungo enumerou o que considera serem actualmente os seis desafios das empresas no País – escassez de divisas, aumento exponencial da inflação, falta de liquidez, juros altos, não pagamento pelo Estado das dívidas às empresas, concorrência desleal e custos de contexto “altíssimos”.

“Temos que reconhecer que não temos dinheiro e suspender a ideia do Estado-providência”, afirmou, defendendo um Estado “regulador e não empresário”, que “deixe o sector privado trabalhar”.

Vera Daves, que destacou a sua “paixão por Angola”, reconheceu que o País está numa “encruzilhada” – precisa de dinheiro, mas não pode asfixiar os contribuintes – que exige a “definição de prioridades”. “Os erros foram cometidos, agora temos que os resolver”, afirmou.

Carlos Rosado de Carvalho concordou, mas lançou o alerta: “Todos os problemas de desenvolvimento têm um facto em comum: a educação, que é o principal factor crítico de sucesso”.

O jornalista considerou que “o problema estrutural de Angola é a educação” e que, nesta fase, só se resolve “importando” professores. “Temos que ver os estrangeiros como alguém que vem ajudar e não pilhar as nossas riquezas”, apelou.

Também Angélica Paquete defendeu a importância da educação. Mas, em termos macro, sugeriu que se faça uma “avaliação assertiva e transparente dos novos programas e dos projectos” feitos e em curso.

“Devemos agir com rapidez”, disse a responsável, para quem é necessário “redimensionar a máquina pública”.

José Octávio Van-Dúnem lembrou que nada pode ser feito – incluindo na educação – se o foco não estiver nas pessoas. “Quem vai fazer-nos ultrapassar os factores críticos são as pessoas”, alertou o professor, que apelou à “humildade” dos angolanos.

“Fomos arrogantes até a fazer políticas públicas”, lamentou Van-Dúnem, que defendeu que se olhe para a educação “no seu todo: académica, escolar e pessoal”.

Angélica Paquete identificou como um dos “problemas” os gestores públicos e a corrupção, que, para Dinis Dungo, pode ser combatida “encurtando o Governo”. “Não devia haver mais de 20 ministérios e 20 agências públicas”, defendeu, colocando nos privados a responsabilidade de serem os principais promotores da diversificação da economia. Já Rosado de Carvalho apontou a “informação” como a melhor forma de combater a corrupção.

Ricardo Viegas de Abreu, secretário do PR para os Assuntos Económicos, participou no evento como convidado, e lembrou que “o tema diversificação é antigo”: “Já se falava dele nos anos 80”, recordou, lamentando que tenha sido “perdida”.

“O foco, para a diversificação, são as capacidades, são as pessoas”, uma questão em que “temos que investir”, sublinhou, destacando que hoje há, pelos menos, “mais liberdade” – o que todos concordaram ser um ganho.

O evento, ao qual a Media Rumo se associou como media partner, terminou com um debate aceso entre os speakerse os restantes confrades. Mas não terminou, porque o S&ER está a funcionar “24 horas por dia”, como concluiu José Octávio Van-Dúnem.

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