“Europa tem de investir mais em África para impedir migrações”, diz Nogueira Pinto

O consultor e historiador português Jaime Nogueira Pinto apelou a Portugal que sensibilize a União Europeia (UE) para investir em África, de modo a eliminar as razões que levam muitos africanos a quererem emigrar para a Europa.

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A wooden fishing boat carrying 55 African would be immigrants arrives at the Port of Los Cristianos, on the Spanish Canary Island of Tenerife, Spain, Tuesday, Nov. 6, 2007. Thousands of African immigrants arrive by boat every year trying to find a better way of life in Europe. (AP Photo/Arturo Rodriguez)

“O grande problema de África” é “a criação de desesperados em série”, com uma miséria galopante e a ausência de perspetivas de futuro, avisou Nogueira Pinto, em entrevista à Lusa, na véspera de uma cimeira em Maputo entre o primeiro-ministro português, António Costa, e o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

“Criou-se uma ideia de prosperidade que está aí nos jornais e nos nossos telefones portáteis”, mas “as pessoas esqueceram-se de que há uma enorme quantidade de gente que foi completamente excluída desse mundo, e com uma diferença: é que dantes os excluídos não viam o que se passava no resto e agora veem e não têm nada a perder”, disse Nogueira Pinto, considerando que as barreiras naturais do Mediterrâneo e do Saara não são suficientes para proteger a Europa.

“Por causa destes problemas todos das migrações e dos refugiados e das consequências políticas que estão a ter no xadrez e no sistema europeu, deveria haver uma consciência de que a melhor maneira de resolver os problemas é acabar com as razões que levam as populações africanas” a “escapar a situações que não são muito felizes nem muito agradáveis”, considerou.

Por isso, a UE deveria ter uma “estratégia correta e inteligente, feita com vontade de resolver os problemas, e não apenas de boas retóricas”, que procure “ver à séria quais são os problemas dos países do continente africano de onde estas migrações vão resultando”, salientou.

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