Fitch: Dívida pública de Angola é sustentável

A agência de rating alerta, no entanto, para as dificuldades do País em servir a dívida durante o próximo ano.

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A agência de ‘rating’ Fitch considerou esta terça-feira, dia 10 de Julho, que o volume de dívida pública de Angola é sustentável a médio prazo, alertando, no entanto, para as dificuldades do país em servir a dívida durante o próximo ano.

“Na opinião da Fitch, a posição de Angola em termos de dívida externa a médio prazo é sustentável, ainda que em dificuldades; no entanto, cumprir os pagamentos da dívida durante o próximo ano será um desafio”, escrevem os analistas no relatório que dá conta da melhoria da Perspetiva de Evolução da economia angolana, revista em alta de Negativa para Estável.

A Fitch, uma das três maiores agências de ‘rating’ a nível mundial, diz que as reservas externas do país caíram de 28,1 mil milhões de dólares no final de 2014, para 17,9 mil milhões de dólares no final de 2017, mas prevê que “o ajustamento ao regime de câmbio e o aumento das exportações ajude a acumular reservas, que deverão aumentar para 20,5 mil milhões no final deste ano”.

Entre as razões para a dificuldade em servir a dívida, para além do próprio volume, estão “a falta de capacidade dentro do Ministério das Finanças, que foi responsável por pagamentos atrasados aos credores oficiais e o registo de erros administrativos noutros pagamentos”.

A liquidez de curto prazo, salienta a Fitch, está a ser garantida pelos credores bilaterais, nomeadamente o Brasil e a China, e pela emissão de dívida pública feita em março, no valor de 3 mil milhões de dólares.

Para os analistas da Fitch, o setor bancário apresenta perigos para a análise do país do ponto de vista da avaliação da qualidade do crédito soberano, o que explica que a Perspetiva de Evolução da banca angolana seja negativa, “refletindo um ambiente operacional caracterizado pela contração dos empréstimos, saídas de depósitos e dificuldades de acesso a moeda externa”.

Rácio de dívida pública face ao PIB

2017 – 66,6%

2018 – 67,5%

2019 – 63,1

2020 – 58,7

2021 – 56,1

2022 – 54,4

2027 – 43,5

Fonte: Fitch

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