Empresários querem FILDA de regresso “a casa”

A FILDA decorre pela primeira vez na Zona Económica Especial de Luanda-Bengo.

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Visitantes à entrada da 34.ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA), a maior feira intersetorial angolana, em Luanda, Angola, 10 de julho de 2018. A 34.ª edição da FILDA arranca hoje com 350 expositores, de 14 países, sendo mais de 10% empresas portuguesas. AMPE ROGÉRIO/LUSA

A Feira Internacional de Luanda (FILDA) decorre até sábado a 30 quilómetros da capital, com 370 expositores, mas as conversas, invariavelmente, terminam na surpresa da vandalização do histórico espaço anterior perante a pretensão dos empresários de o recuperar.

Por entre as comitivas de empresários, trabalhadores e governantes que por estes dias viajam do centro da cidade para a Zona Económica Especial de Luanda-Bengo, onde decorre pela primeira vez a FILDA, na sua 34.ª edição, a maior em Angola, a Lusa visitou as instalações onde tudo acontecia, até 2015, agora abandonadas.

Portões e vedações derrubadas, pavilhões vandalizados, cabos elétricos e geradores arrancados às peças, diariamente à vista de todos, além de um denso capim que vai crescendo, é o cenário que contrasta com a antiga FILDA, feira que numa semana chegava a receber 1.000 expositores, de todo o mundo, à procura de oportunidades de negócio em Angola.

“A FILDA é no Cazenga [município junto ao centro de Luanda]. Sem tirar mérito a esta iniciativa [edição de 2018], é preciso haver amor nestas coisas (…) As pessoas sentem que um bom filho à casa torna, que há mais interatividade entre as empresas no centro da cidade”, afirmou à agência Lusa o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino.

O responsável garantiu que os empresários angolanos estão prontos para agarrar o projeto, tal como aconteceu no passado, e para reabilitar a maior área de exposição de Angola, com 30.000 metros quadrados e vários pavilhões, a poucos minutos do centro da cidade de Luanda.

Pavilhões vandalizados, portas e janelas partidas, paredes derrubadas, lixo espalhado e antigas salas de eventos e conferências, que juntavam empresários de todos os continentes mas das quais restam apenas os alicerces, é algo agora diferente dos 45 milhões de dólares que há 10 anos foram investidos na reabilitação do espaço.

Tudo se precipitou a partir de 2016, com o agravar da crise financeira e económica angolana, quando a Feira Internacional de Luanda (FIL), sociedade pública gestora das instalações e organizadora das várias exposições setoriais que ali decorriam anualmente, abandonou o negócio.

As instalações regressaram para a gestão do Estado, que não deu utilização ao local, tendo a FILDA de 2016 sido mesmo cancelada, sendo retomada no ano seguinte, em pequena dimensão, na baía de Luanda, e agora nos arredores da capital.

Para agravar, arrasta-se um diferendo judicial em que a AIA reclama a gestão do espaço: “Estamos a apelar ao Governo que nos restitua a FILDA. A FILDA é dos industriais, o próprio Tribunal Supremo assim reconheceu (…) Temos de reconstruir a FILDA, porque é um ícone nacional”.

De acordo com José Severino, líder dos empresários e industriais angolanos, a própria AICEP portuguesa já se mostrou disponível para reconstruir o chamado pavilhão de Portugal da FILDA, um dos existentes naquele espaço e que habitualmente concentrava cerca de uma centena de expositores nacionais.

“Não há orçamento, mas já há quem queira financiar. Empresários e bancos”, rematou José Severino, admitindo que a decisão está agora nas mãos do Governo, mas convencido que já em 2019 a FILDA pode “voltar a casa”.

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