Política ao avesso

O Vanguarda destacou na 91.ª edição, de 26 Outubro último, a necessidade de o poder político dar um murro na mesa para que a banca esteja ao serviço do fomento de indústrias, partindo da agricultura para chegar ao consumidor, uma vez que o País continua a gastar anualmente 2,5 mil milhões de dólares com importação de 13 produtos do cabaz da cesta básica.

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Esta semana, os serviços de imprensa do PR comunicaram que João Lourenço concedeu no Palácio uma audiência colectiva a representantes de diferentes associações empresariais nacionais, a pedido destas, que quiseram apresentar um pacote de preocupações e ideias a serem materializadas pelo Executivo, de forma a impulsionar a reanimação da economia.

Não se sabe ao certo se a ideia de criação de um Banco de Fomento Agrícola partiu da Associação Agro-Pecuária de Angola, da Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola, da Associação de Concessionários de Equipamentos de Transporte Rodoviário e Outros ou da Associação dos Hotéis e Resorts de Angola.

Independentemente da origem, é uma boa ideia, não se pode continuar a brincar com o dinheiro dos contribuintes – a julgar que o referido banco seria de capital público. E há um péssimo histórico. O BDA interveio na economia, desde 2006, também com uma componente de fomento agrícola, que foi um autêntico fracasso. Na mesma área, outros dois bancos públicos, BCI e BPC, também fracassaram. O segundo representa metade do crédito malparado na economia e em processo de saneamento com o dinheiro dos contribuintes.

O Presidente, como um pai incapaz de abandonar os filhos, orientou as referidas associações a trabalharem com os ministros dos respectivos sectores, para, de seguida, lhe submeterem os resultados. O PR precisaria, sim, de criar condições para os bancos competirem no crédito ao retalho, ao consumo, ao investimento. É deste cenário que as associações empresariais precisam. O País tem 30 bancos e a maioria não vai sobreviver até Dezembro devido às regras do banco central de aumento de capital. E se as associações e os ministros concluírem que é necessário a criação de um Banco de Fomento Agrícola como se pretende, o Presidente vai avançar? O tempo dirá, nos anos que restam ao PR, se estará ou não a política ao avesso.

 

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