Cabo Verde: oposição acusa Executivo de práticas de nepotismo

“Será por mera casualidade que muitas empresas, muitos institutos e muitas instituições do Estado estão a ser geridos por familiares e amigos próximos dos actuais titulares do poder político”, ironizou Janira Hopffer Almada.

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A presidente do maior partido da oposição caboverdiana (PAICV), Janira Hopffer Almada, acusou o Governo de nomear familiares e ami- gos para cargos de chefias no país, mas o primeiro-ministro esclareceu, conforme a edição desta manhã do Jornal de Angola, que estão a ser realizados concursos públicos.
A deputada e presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) fez a acusação no início do debate mensal com o primeiro-ministro, em que o tema proposto pela bancada parlamentar do próprio partido foi boa governação e transparência.
“Será por mera casualidade que muitas empresas, muitos institutos e muitas instituições do Estado estão a ser geridos por familiares e amigos próximos dos actuais titulares do poder político”, ironizou Janira Hopffer Almada.
Janira Almada questionou ainda sobre a quantidade de concursos públicos realizados até agora pelo Governo de Ulisses Correia e Silva e se está a cumprir a promessa de estabelecer um tecto salarial para as chefias do Estado e dos gestores públicos equivalente a três mil dólares.
Em resposta, o primeiro-ministro pediu a Janira Almada que dissesse quem são essas pessoas e as suas famílias. “Porque não basta fazer suspeições, diga e identifique”, pediu, indicando que estão a ser feitos concursos para professores, enfermeiros, polícias, técnicos e outros quadros.
Relativamente aos directores nacionais, Ulisses Correia e Silva disse que o Governo fez uma alteração à lei para poder ter espaço para fazer nomeações, “não de gente com cartão de militância”, mas para poder ter “espaço de respirar e de executar as políticas do Governo.”
Sobre os concursos públicos, o chefe do Governo cabo-verdiano disse que “muita coisa se alterou” no país desde que tomou posse, em Abril de 2016, e que dos concursos de obras públicas lançados até agora só 0,6 por cento foi por adjudicação directa, justificado por questões de urgência.
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