Mudanças no Governo são quando o Presidente quiser. E porque não hoje?

O ministro das Finanças e a ministra da Saúde poderão deixar de ter assento no Conselho de Ministros, provavelmente já no próximo

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Por Ana de Sousa

Vanguarda sabe que Archer Mangueira, o ministro das Finanças, e Sílvia Lutucuta, a ministra da Saúde, estão de saída do Governo. Antes do Natal, depois do Natal? Será quando o Presidente João Lourenço quiser. Ou ainda hoje, antes mesmo de ir de passar uns dias de férias a Moçambique?

E com a saída dos ministros das Finanças e da Saúde, pode assistir-se a uma remodelação mais abrangente, tanto quanto a ministérios – o Ministério da Justiça e os Direitos Humanos e o Ministério da Educação têm mudança quase garantida -, como a secretários de Estado, bem como uma reconfiguração de nomes entre os secretários do Presidente e no cargo de ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, onde, e apesar de vozes discordantes, António Pitra Neto ou Carlos Maria Feijó são sérios candidatos. Acredita- se que uma figura de referência da anterior presidência, depurada desse quase anátema – com algum custo político, ainda que irrelevante comparado com os ganhos -, possa deixar o cargo que ocupa na Casa de Segurança e passar a ter um lugar mais próximo de João Lourenço, no Gabinete.

Fala-se, obviamente, de Aldemiro Vaz da Conceição. É indisfarçável a ansiedade generalizada entre auxiliares do poder Executivo e secretários do Presidente. O Palácio da Cidade Alta tem andando, por estes dias, num frenesim de entradas e saídas. Uns, muito discretos, outros, como foi o caso, esta semana, de Rafael Marques, acompanhado pelo buzz mediático.

A notícia da semana, foi, indubitavelmente, o encontro do Presidente com membros da sociedade civil, deixando claro que está disponível para ouvir as angolanas e os angolanos através de todas as forças de intermediação, sejam os partidos políticos, sejam as associações cívicas, num movimento de dois sentidos – o Presidente reconhece a força da sociedade civil, e a sociedade civil legitima o poder do Presidente eleito como cabeça-de-lista do partido mais votado, o MPLA, para além disso mesmo.

Vanguarda tem insistido que o PR tem que arrumar o Governo, porque o actual não é – e também já o escrevemos – o seu Governo.

Senão vejamos, e a título de exemplo, da equipa económica do actual Presidente, que elementos a compõem que não tenham feito parte do ciclo político do anterior? Não significa, com isto, que sejamos puritanos. Acredita-se que há entre os actuais ministros que serviram em anteriores governos, gente muito capaz, conhecedora da máquina do Estado e do Governo. Mas no que tem a ver com a equipa económica o mal-estar é evidente, a conferência de imprensa da semana passada não deixou ninguém tranquilo, pela forma e pelo conteúdo. Ainda por cima, em vésperas de ser aprovado um Orçamento Geral do Estado para 2019 que vem já com um rectificativo em anexo. Ou seja, com as contas do orçamento feitas na expectativa do barril de petróleo a 68 USD, não há leigo que não perceba que este orçamento será seguramente rectificado dentro de seis meses, deixando, provavelmente, as contas públicas ainda mais vulneráveis.

Leia mais na edição que vai as bancas nesta sexta feira!

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