O prenúncio do fim dos “intocáveis”

O Procurador-Geral da República admitiu nesta semana ao Vanguarda que a lista dos “intocáveis” que devem responder perante a Justiça não está completa.

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Por: António Pedro 

A Justiça não vai agir como um instrumento da política populista conforme se aventou em certos círculos do poder.

E a lista é enorme. Desde empresas privadas, que há décadas foram constituídas com dinheiros públicos através de esquemas fraudulentos, aos contratos de empreitadas públicas, nunca executadas, mas com os dinheiros pagos na íntegra, sem esquecer a forma como gestores públicos delapidaram o Estado em 800 mil milhões de kwanzas (2,5 mil milhões USD) com despesas inexistentes ou contratos falsos de prestação de serviços.

O maior “gato” estará no Ministério das Finanças, com o registo de uma dívida ‘fantasma’ com empresas de cerca de 19,6 mil milhões USD (25% do total).

A UNITA continua a insistir numa auditoria à dívida pública dada a ganância de políticos/empresários que nunca prestaram os serviços mas emitiram facturas. Os dinheiros desviados, através de esquema de corrupção “quase invisível”, nas empresas públicas, investigadas agora.

A criação de uma comissão de ética na AN para ouvir gestores, actuais ou antigos, conforme pretende a oposição, comprometeria o próprio partido no poder.

É extremamente melindroso um gestor público comparecer a uma comissão de ética para afirmar que os dinheiros roubados foram para os bolsos de alguns dos inquiridores (deputados).

Mas é preciso esta coragem. Prejudicaria uns poucos, mas salvaria um país que neste momento já faz as contas aos tostões com o barril de petróleo a cair nesta semana para 59,97 USD/barril, menos 8.03 USD do programado no OGE.

Archer Mangueira terá, ainda, de explicar o quanto da dívida fraudulenta às empresas que nunca prestaram serviços ao Estado encontrou no edifício da Mutamba, na gestão do seu antecessor.

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