“Sem arrogância e vaidade quem não o fizer estará a autoexcluir”

Na sua apresentação oficial como o 21º governador de Luanda, Sérgio Rescova deixou avisos aos seus colaboradores e promessas à população luandense.

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Por Félix Abias 

Vamos trabalhar juntos, com respeito mútuo, disciplina, humildade, organização, muito sacrifício, sem arrogância e vaidade, sem intrigas e calúnias, muito diálogo e respeitar a crítica construtiva. E quem não o fizer estará a auto-excluir-se do grupo de trabalho”, alertou o novo governador da província de Luanda, Sérgio Luther Rescova, durante a sua apresentação oficial no Palácio da Mutamba.

O novo governador de Luanda, que falava aos administradores municipais e demais funcionários da sede, disse que apesar das dificuldades económicas, será necessária uma dinâmica funcional, efectiva e de maior desconcentração administrativa que em grande medida contribuirá para a implementação gradual das autarquias locais, cujo processo está em curso. Luther Rescova garante trabalhar para todos os luandenses sem olhar para factores de diferenciação social.

Em termos de prioridades, apontou que as zonas periféricas merecerão mais atenção por concentrarem a maior parte da população. O novo inquilino do Palácio da Mutamba comprometeu-se igualmente a adoptar medidas destinadas a combater a corrupção e a impunidade, a promover o respeito e o rigor na observância das regras de gestão orçamental, contratação pública e outras no domínio das finanças públicas.

De olhos está ainda na “operação resgate”, acção justificada, entre outras, com o restabelecimento da autoridade do Estado e o cultivo de valores cívicos por parte dos cidadãos. “A segurança pública e operação resgate devem manter-se as nossas prioridades para termos a Luanda que desejamos”, acrescentou. Com recados do seu antecessor, Agostinho André Mendes de Carvalho, sobre as áreas prioritárias para Luanda, afirmou que a expectativa é dar continuidade às tarefas positivas em curso, melhorando o que for necessário. Estão ainda entre as prioridades o saneamanto básico, o melhoramento dos espaços verdes, a abertura, recuperação ou melhoramento das vias secundárias e terciárias.

“Sem fórmulas mágicas”

O economista e especialista em Relações Internacionais, Josino Campos lembra ao Vanguarda que não há fórmulas mágicas para resolver os problemas de Luanda, pela sua complexididade quer populacional, quer do ponto de vista da urbanização, mas observa que a resolução dos seus problemas tem passado por medidas “paliativas”. Para Josino Campos, sendo os problemas de Luanda “estruturais”, como o êxodo rural, a mobilidade e o saneamento básico, as autoridades têm tomado medidas “conjunturais”. “Nunca foram encontradas com seriedade as soluções dos problemas de Luanda, e cada governador quer trazer uma fórmula básica”, constata Josino Campos, que defende soluções “mais bem elaboradas para resolver os problemas”, e justifica-se: “Só em relação ao lixo, estávamos a falar de um novo modelo do governador Higino Carneiro, o governador Mendes de Carvalho veio com outro modelo e agora já se fala de um novo modelo, o que significa que há uma discordância entre as pessoas que fazem parte da mesma linha política” .

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