Governar Luanda onde “todo mundo quer mandar e todo mundo é general”

A capital do País é uma confluência de interesses originários de vários quadrantes, mas Presidente da República quer Luther Rescova “sem medo”.

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Por Félix Abias 

Quem olha para o histórico de governadores de Luanda e a sua complexidade, justificada primeiro com o êxodo rural, depois com a dificuldade de mobilidade urbana, causada pela urbanização à margem das regras, à falta de vias alternativas e o choque de interesses instalados, percebe o desafio que representa governar a cidade capital de Angola. A complexididade de governar Luanda encontra igualmente respaldo nas palavras de um dos seus antigos governadores, Bento Francisco Bento, quando ao deixar o lugar, ao seu sucessor, general Higino Carneiro, solicitou que pusesse disciplina na província, pois “todo o mundo manda, todo o mundo fecha a água, tira a água, todo mundo é general”.

O mesmo Bento Bento, anos antes, afirmara que “Luanda é um cemitério de quadros”, em alusão às intrigas palacianas e ao efémero consulado, que geralmente termina perto dos dois anos de mandato e muitas vezes com a imagem beliscada. Por sua vez, ao presidir à passagem de pastas entre Agostistinho Mendes de Carvalho e Luther Rescova, o ministro da Administração Território e Reforma do Estado (MATRE), Adão de Almeida, admitiu igualmente ser “justo reconhecer que Luanda é provavelmente a cidade mais complexa para governar, por ser capital do País e onde se misturam instituições da administração local com instituições da administração central”. Adão de Almeida reconheceu que ainda não se alcançou o objectivo de, em absoluto, reduzir o espaço de intervenção da administração central em benefício da administração local.

“Reconhecemos que ainda há uma excessiva intervenção da administração central, há ainda um défice considerável de coordenação e articulação institucional entre a administração central e os órgãos da administração local. Enquanto isso prevalecer, mais difícil será governar Luanda”, alertou Adão de Almeida. Entretanto, ciente do que é governar Luanda, o Presidente da República encorajou o novo governador de Luanda. “O desafio é grande, mas não tenha medo de enfrentar esse desafio, estamos aqui todos para ajudá-lo, a si e a outros governadores”, declarou João Lourenço na tomada de posse, acrescentando que “sem desprimor pelas outras, queremos destacar Luanda, por razões óbvias, é a capital do país, é a maior urbe do país”, acrescentou.

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