“Kwata Kanawa” contestado em Malanje

Um grupo de jovens estudantes, activistas cívicos e membros da sociedade civil comunicou ao Governo da província de Malanje a realização de uma manifestação no próximo dia 2 de Fevereiro, para pedir a saída do governador Norberto Fernandes dos Santos “Kwata Kanawa”.

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Por: Agostinho Rodrigues

A resposta foi negativa por, segundo o Executivo, ser uma solicitação “ilícita, imoral e susceptível de perturbar a ordem e tranquilidade pública”.

Segundo a Voz da América que cita um comunicado do governo de Malanje, assinada pelo director do gabinete do governador provincial, o Executivo considerou que a manifestação seria uma “afronta à vontade de confiança política do Chefe de Estado”, a quem a lei confere poderes para nomear e exonerar os governadores províncias.

De acordo ainda com o comunicado do Executivo de Malanje, “depois de analisados e ponderados, mostram indisponibilidade de condições legais e de segurança para que a referida manifestação aconteça”.

O estudante universitário e membro da comissão organizadora da marcha, Locácio da Silva, disse que os representantes do povo pouco fazem para garantirem o bem-estar dos cidadãos.“Sentimos que há uma crise muito forte no que toca à questão da representatividade e há direitos que não são respeitados”, afirmou.

Esta deverá ser a terceira tentativa de contestação popular ao governador Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, pois segundo fontes em Malanje que falaram em anonimato, este foi antes afrontado pelo povo num encontro sobre “segurança pública” em Janeiro do ano passado.

Refira-se que, dois dos seis manifestantes contra a governação do governador Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, no 4 de Abril de 2018, Dia da Paz, foram absolvidos pelo Tribunal da Comarca daquela cidade por insuficiência de provas.

Na altura, o Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, minimizou os actos de apedrejamento protagonizados por cidadãos que exigiam a saída de Norberto dos Santos do cargo de governador de Malanje, descrevendo-o como um sentimento que não reflecte a atitude pacifista e patriota do povo malanjino.

Acção, atribuída na altura aos moto-taxistas que alegadamente protestavam medidas do governo de Malanje contra aquela actividade.

Note-se que, na vigência do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos (JES), numa das suas deslocações aquela província e, pela primeira vez, o povo da “Palanca Negra Gigante” fez ouvir alto e bom som a sua voz. A população exigiu que José Eduardo dos Santos levasse o seu “cágado”, neste caso, o malogrado governador Flávio Fernandes, que foi impedido de fazer uso da palavra no comício a pedido antigo Chefe do Executivo, tendo, este, recebido como resposta “não”, leva o seu “cágado”.

Na altura, José Eduardo dos Santos, submeteu-se a imposição das populações, o governador não usou da palavra e pouco tempo depois viria a ser exonerado.

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