O (des)poder e a sociedade (fim)

Terá sido na base do Despoder dentro do MPLA (entre 2002 e 2017) que se mudou a liderança partidária em 2018.

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Por Patrício Batsîkama

Historiador 

Política é todo um programa historicamente constituído, um aparelho económico que fomenta a felicidade das famílias; ela implica uma ideologia racionalmente válida, dinâmica e uma agenda exeguível com uma cobertura populacional considerável para atender com eficácia as demandas do Povo. Durante esse período efémero do caso 15+2, assistiu-se ao Despoder, e isso permitiu alguns partidos políticos da Oposição um rescaldo por razões eleitorais. O partido político no Poder, do modo igual, percebeu-se das reformas metodológicas que eram urgentes.

Consideramos qualquer “Despoder” como uma crise. Ele leva as pessoas a reflectir em repor o Poder a sua legalidade, sua legitimidade, sua força social, etc., depois de identificar os erros, os excessos e, sobretudo, aclimata-se aos novos padrões das demandas da sociedade.

O Poder de Luanda foi instituído e cimentado entre 1975 e 2010. Não só aguentou um peso militar com alta factura humana, mas superou-se na longa aprendizagem política (na região) para defender a sua soberania. De 2010 adiante, imprimiu-se uma nova dinâmica com a Constituição.

Foi exactamente em Dezembro de 2010 que a Primavera árabe iniciou com propósito desestabilizar alguns países de África, entre os quais Angola.
Em 2011 pulularam manifestações e “desordens” de diferentes calibres na cidade de Angola.

Ainda assim, as eleições de 2012 favoreceram o MPLA. Há várias razões teóricas para interpretar esses resultados, entre as quais:
(a) o Despoder é apenas uma dinâmica sociopolítica e não uma ruptura epistemológica que conduz ao declino;

(b) o Despoder não corporiza novos modelos, mas é uma crise que proporciona melhoria e imprime a idea de revisão do sistema em si;

(c) o Despoder constrói-se nas circunstâncias e não na própria cultura social do Povo; (e) o Despoder não ultrapassa as fronteiras da Constituição em si.

Ora, a marketing política que sustentou as campanhas do MPLA em 2012 tirou lição do “Despoder entre 2012”. Desta lição, a capacidade política do MPLA de mobilizar o Povo instrumentalizou melhor a captação do voto.Terá sido na base do Despoder dentro do MPLA (entre 2002 e 2017) que se mudou a liderança partidária em 2018.

Ali está uma oportunidade que poderá levar a Oposição a enriquecer a Práxis política angolana, aprendendo do “Despoder interno” de cada organização política e das metamorfoses da sociedade angolana.

O Despoder é inevitável em qualquer sociedade: família, partido político, associação, igreja, clube de futebol,etc. Por conseguinte, prevenir-se do Despoder seria inútil do que aprender dele as lições face aos novos paradigmas que apresenta a cada mudança social quanto à relação entre o governador e o governado.

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