Ex-director da UTIP acusa fiscalizador de ocultar suspeita de irregularidades de cheque tailandês

O ex-director da Unidade Técnica de Investimento Privado (UTIP) angolana afirmou-se, hoje, "triste" por a Unidade de Informação Financeira (UIF) ter accionado a justiça, sem o seu conhecimento, suspeitando do cheque tailandês de 50 mil milhões de dólares.

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Norberto Garcia, igualmente antigo porta-voz do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, partido no poder em Angola), está a ser julgado no Tribunal Supremo e foi hoje ouvido em audiência, pela segunda vez, em instância da defesa.

O réu, que se encontra em prisão domiciliária desde Setembro de 2018, está a ser julgado com outros nove cor-réus – quatro de nacionalidade tailandesa, todos em prisão preventiva desde 21 de Fevereiro, três angolanos, dois em prisão preventiva, e um em prisão domiciliária, um eritreu, preso preventivamente há quase um ano, e ainda um canadiano, que responde em liberdade.

Durante a sessão, a defesa perguntou ao seu constituinte como via o facto de a UIF ter, a 21 de Fevereiro de 2018, enviado ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) uma carta em que levantava suspeitas sobre uma operação de branqueamento de capitais, reactivo a um cheque de 50 mil milhões de dólares apresentado como prova de fundos pelo grupo de tailandeses e, no dia seguinte, a mesma instituição ter-lhe enviado uma mensagem telefónica a dar conta que havia dificuldades em confirmar a autenticidade do documento, prometendo continuar a verificar.

“Estou triste com esta situação. Fico espantado quando pedimos informações à UIF”, respondeu Norberto Garcia, acusado da prática dos crimes de burla por defraudação na forma frustrada, promoção e auxílio à imigração ilegal e tráfico de influência.

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