Possíveis mexidas no partido elevam expectativas do VII congresso extraordinário

Paulo Pombolo já afirmou que os mandatos do CC são de cinco anos e para levar até ao fim, a menos que haja violação grave dos estatutos e da CRA. No último congresso extraordinário caíram “pesos pesados” do partido.

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Por Félix Abias foto Orlando Zumbi

As mexidas feitas pelo presidente do MPLA, João Lourenço, ao Bureau Político (BP) deste partido na sequência do último congresso extraordinário, realizado de 7 a 8 de Setembro de 2018, que marcou o fim de José Eduardo dos Santos, 39 anos depois à frente da organização, elevam as expectativas dos militantes, simpatizantes e amigos desta formação política em relação ao VII congresso extraordinário a decorrer este ano. Com a data a ser marcada em Março as mexidas feitas pelo presidente do MPLA, João Lourenço, ao Bureau Político (BP) deste partido na sequência do último congresso extraordinário, realizado de 7 a 8 de Setembro de 2018, que marcou o fim de José Eduardo dos Santos, 39 anos depois à frente da organização, elevam as expectativas dos militantes, simpatizantes e amigos desta formação política em relação ao VII congresso extraordinário a decorrer este ano.

Com a data a ser marcada em Março Kassoma, do ex-presidente da República, Manuel Vicente, da então 1ª vice-presidente da Assebleia Nacional e ex-secretária do BP para a Administração e Finanças, Joana Lina, do general António França “Ndalu”. Ficaram ainda de fora Norberto Garcia, porta-voz, os governadores do Cunene e da Huíla, Kundi Paihama e Marcelino Tyiping., respectivamente. O antigo ministro dos Transportes, hoje detido preventivamente no âmbito da gestão do seu ex-pelouro, Augusto Tomás.

Além do BP, João Lourenço tem ainda a prerrogativa de mexer na figura do vice-presidente, actualmante ocu pado por Luisa Damião, e do secretário-geral, ocupado por Álvaro da Boavida Neto. Aliás, é aqui onde estão mais centradas as expectativas depois dos últimos pronunciamentos deste último em que se opôs à forma como o Ministério Público tem vindo a agir no âmbito do combate à corrupção, ao nepotismo e à impunidade, numa entrevista ao Expansão, que dividiu opiniões onde, de um lado, defende-se que “Álvaro da Boavida Neto afrontou o chefe, que tem liderado a luta contra a corrupção no País e feito disso a sua bandeira”.

Do outro lado, há quem tenha encarado os pronunciamentos de Boavida como “enquadradas na abertura democrática que o País tem vindo a observar que, como é óbvio, manifestase na liberdade de pensamento, independemente do organismo a que se está vinculado”. Contactado pelo Vanguarda, Fragata de Morais, deputado suplente e membro do CC, reforçou que “os lugares de vice-presidente e secretário-geral do partido podem ser alterados, por serem da escolha do presidente, por isso mesmo tudo estar dependente do desempenho dos escolhidos”.

As expectativas em relação às possíveis mexidas aumentam ainda por uma questão de natureza histórica, ou seja, João Lourenço têm feito frequentes mudanças na Presidência da República e no partido, sem deixar grande intervalo de tempo, nem se coibir de mexer nas mesmas figuras.

O secretário do MPLA para a Informação, Paulo Pombolo, esclareceu recentemente que o congresso extraordinário não pretende retirar qualquer membro do CC, como avançam alguns analistas políticos, porque “todos os membros deste órgão têm um mandato de cinco anos”, de acordo com os estatutos. Acontece, porém, que tudo pode mudar se dentre os seus membros estiverem figuras indiciadas em diversos crimes, como se tem especulado, aliás são provenientes do partido algumas das figuras detidas neste momento, como é o caso do ex-ministro dos Transportes, Augusto Tomás, o filho do ex-Presidente da República, José Filemo dos Santos “Zenu”, o que reforça mais ainda a ideia de que a qualquer momento pode chegar a vez de um dos membros do CC. Entretanto, a vice-presidente do partido apresentou, na semana passada, durante a cerimônia de apresentação da agenda política do partido 2019 os seguintes objectivos do congresso extraordinário: adequar as estruturas do partido aos novos desafios políticos, económicos, sociais e culturais, devendo os órgãos intermédios serem consultados a partir de hoje em todas as províncias.

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