Dois reformadores, uma diferença

O que diferencia então Lourenço de Tshisekedi para a implementação de reformas que venham a proporcionar uma melhoria do nível de vida dos seus cidadãos?

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Por António Pedro 

Director do Jornal Vanguarda

Félix Tshisekedi esteve, em Luanda, em busca de apoio diplomático, no domínio de defesa e segurança e também económico. João Lourenço abriu-lhe as portas do Palácio da Cidade Alta, na rua 17 de Setembro, e prometeu consolidação da cooperação bilateral. Os dois presidentes possuem agendas reformistas. E ambos herdam países com degradação do tecido social, dívidas elevadas, com poucas soluções para aumento de receitas tributárias, e com uma oposição com exigências de cortar a respiração.

Tshisekedi não formou ainda governo, mas quando o fizer vai começar a verdadeira gestão do país, que fez da corrupção e da impunidade uma bandeira em haste. Se um dos seus desejos é proporcionar o bem-estar aos congoleses democratas, caso o consiga será o herói do Congo, mas, muito provavelmente, a oposição não lhe vai dar esse mimo, pois implicaria fazer reformas duras de roer, com ingredientes bastante amargos para obter êxitos.

O que diferencia então Lourenço de Tshisekedi para a implementação de reformas que venham a proporcionar uma melhoria do nível de vida dos seus cidadãos?

O primeiro detém uma maioria qualificada no Parlamento e o segundo não. O primeiro tem levado a cabo reformas que atingem os companheiros de trincheira, de luta, de batalhas políticas contra a oposição, alguns deles detidos e outros em acareação junto do Ministério Público. O segundo aguarda por batalhas políticas no parlamento do seu país onde não detém maioria qualificada, tornando-se muito difícil fazer aprovar dossiês cujos efeitos, na prática, quebram a continuidade de negócios construídos com dinheiro público, por via de actos administrativos não transparentes, e que enriqueceram uma classe política e empresarial adepta do seu antecessor, Joseph Kabila. Se estamos diante de dois reformadores ao estilo de Deng Xiaoping, o Presidente Lourenço estará, provavelmente, mais próximo do êxito sem precisar de favores da oposição. E porque tem maioria na AN, João Lourenço viu aprovada uma nova lei do investimento privado, lei da concorrência, etc. Se Lourenço é um convicto e determinado reformista, Tshisekedi nem tanto. No entanto, um precisa do outro para, juntos, firmarem Angola e RDC como a futura potência do continente africano, deixando para trás a África do Sul.

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