“Construir fábricas é fácil, mas formar uma nação de homens é tarefa longa e árdua”

Em 1948 o então major Gamal Abdel-Nasser tornou-se presidente do Conselho do Comando Revolucionário e em, 1956, foi eleito presidente do Egipto , ficando até sua morte em 1970.

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Por Agostinho Rodrigues 

Até 1967 Nasser assumiu a função de chefe de Estado egípcio e de líder do nacionalismo árabe.

Gamal Abdel Nasser nasceu no Egipto em 1918 e a sua influência colocou o Egito na posição de grande defensor dos árabes nas questões israelitas.

Este é o percurso do então presidente do Egipto e celebre autor das chamadas 16 citações e frases, das quais se destacam “construir fábricas é fácil, fazer hospitais e escolas é possível, mas formar uma nação de homens é tarefa longa e árdua”. Na verdade, existem poucas personagens na história contemporânea do Médio Oriente e do mundo árabe que sejam tão influentes como Gamal Abdel Nasser, político responsável pela criação de uma ideologiapan-arabista que rompia com a tradicional cultura religiosa da região.
Gamal Abdel Nasser foi o primogénito de um casal típico da pequena classe- média egípcia, ou seja, da “petite bourgeoisie”, sendo a sua mãe dona de casa e o seu pai escriturário.

Posteriormente a família se alargaria, incluindo uma segunda mulher para o seu pai e a vinda de uma dezena de irmãos. Apesar de pertencer ao estrato médio-citadino, o seu pai, Abdel Nasser Hussein (1888 – 1968), provinha de uma família modesta de camponeses (fellah).

Durante a maior parte da sua vida ele esteve entre as grandes cidades do país, sendo-lhe familiar o centro de sua cidade natal, Alexandria, bem como do Cairo. Mas, manteve sempre conexões profundas com a zona rural de onde advinha a família paterna.
A partir de então, Gamal passa a morar com seu tio, Khalil, em um lugar de grande efervescência cultural, próximo à mesquita de Al Azhar e não longe de um dos mais importantes bairros do Cairo, Khan al-Khalil.

Na escola, tinha aulas de aritmética, árabe e religião. Nas horas vagas ia às ruelas do bairro junto a um outro rapaz, mais velho, que então estava hospedado na casa do seu tio. Com esse amigo, ele explorou a vida animada do lugar com suas pequenas lojas, artesãos, cafés, mesquitas e palácios.

No Cairo, Nasser passa a estudar em uma escola de nome nada irrelevante, El Nahda al Misria [Renascença Egípcia]. Essa escola tinha a reputação de conduzir e liderar manifestações estudantis. Lá, Gamal esteve na vanguarda das manifestações, sendo presidente do comité executivo dos alunos secundaristas do Cairo.

Por conta disto o Egipto tem funcionado como líder dos Estados árabes, mostrando ser a nação-motor em termos de movimentos de transformação e Nasser, enquanto presidente egípcio de 1956 a 1970, é, ainda hoje, a face mais reconhecida e associada ao nacionalismo árabe.

Considerado o primeiro egípcio presidente eleito de uma República, foi um dos pioneiros, senão o pioneiro, aos movimentos de libertação no Oriente Médio. Defendendo um Estado forte, controlador dos meios de produção e distribuição de renda. Ele fez com que países árabes começassem a vê-lo como líder. A posse do petróleo e as riquezas que vinha da sua exploração ajudava no fortalecimento do senso de nação árabe. Um marco importante de sua liderança foi a nacionalização do Canal de Suez, que resultou na Guerra de Suez (1956),

em função da resposta militar de França e Inglaterra. As duas potências coloniais do século XIX, contudo, viriam a descobrir que o mundo do pós-Segunda Guerra Mundial já não mais lhes pertencia. Sem o apoio norte-americano ou soviético, os exércitos francês e britânico foram obrigados a retirar-se do Egipto.

A sua liderança elevou-o a uma figura prestigiada também no âmbito internacional, especialmente com a sua posição dentro da Organização dos Países Não Alinhados – neutralidade perante os blocos representados durante a Guerra Fria entre a URSS e os EUA. No entanto, o apoio soviético tornou-se latente com o passar dos anos. Doze anos mais tarde, Nasser viria a morrer com um ataque de coração. Cinco milhões de egípcios e o mundo islâmico em geral renderam-lhe uma sentida homenagem.

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