Parabéns, senhor Presidente!

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O poder está ainda num processo de transição

Ana de Sousa 

Alexandre, ‘o Grande’, pupilo de Aristóteles, com quem aprendeu política e retórica, ciências e geografia, acreditava nos astros e nas previsões dos astrólogos da Babilónia que conquistou. Na decisiva Batalha de Gaugamela as forças de Alexandre eram quase risíveis perante o imponente exército de Dario III, o rei da Pérsia, mas o jovem Alexandre tinha os astros alinhados a seu favor. “Na noite de 20 de Setembro de 331 a.c., recebeu dos deuses a confirmação que precisava”.

No que podemos ler desta história, “ocorreu um eclipse quase total da lua, e o vidente Aristandro achou que este era um presságio favorável a Alexandre e aos macedónios”. Os astros estavam por ele, talvez. Ao lado de Alexandre estavam Antígono, Leonato, Nearco, Cassandro, Ptolomeu e Heféstion, os seus generais. Em Gaugamela, Alexandre falou às tropas, incutindolhes o espírito moralizador da vitória, e o vidente Aristrando realizou um ritual religioso. A cavalaria macedónia lançou-se contra o infindável exército persa. E ganhou.

A astrologia e a cartomancia são fenómenos indissociáveis de inúmeros líderes, reis, príncipes ou clérigos. O poder provoca a angústia da perda de poder. O voto e as democracias desvalorizaram o esoterismo ligado a esta angústia, mas temos ainda a astrologia.

Vindos da Grécia antiga, chegamos à nossa realidade. O Presidente João Lourenço nasceu na madrugada do dia 5 de Março de 1954, no Lobito. Daí, na próxima terça-feira, dia de Carnaval, comemora os seus 65 anos. E é exactamente neste dia que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa inicia a sua visita de Estado a Angola. Tínhamos nesta visita um tema para análise. Mas seria muito previsível. Optámos por pedir ao astrólogo português Luís Resina a carta astral do Presidente João Lourenço – esperemos que nos desculpe a indiscrição, mas temos que a astrologia é como a economia, a previsibilidade dos eventos é muito discutível. “Vem para instaurar um regime mais democrático no país” é assim que Luís Resina começa e de acordo com a carta astrológica do Presidente.

E prossegue, “tem o ascendente em Aquário, tem o Urânio em Caranguejo, que é nacionalidade, vem para revolucionar, vem para dar uma nova ordem, mais virada para a comunidade internacional, nasceu numa lua nova, logo, vem para iniciar novos ciclos, foi eleito com Neptuno em cima do Sol e vem cumprir uma missão colectiva, uma missão mais alargada”. Disse-nos mais, que este ano o Presidente João Lourenço está mais forte, “em termos de imagem pública, há um depositar de confiança nesta pessoa, ele tem o apoio popular e é algo que se vai consolidar ao longo deste ano, mas estamos ainda numa fase de algumas tensões, nomeadamente, entre grupos de poder, ainda estamos numa fase de passagem de poder”, diz a conjuntura astrológica, e não nos custou nada dar esta ideia como certa.

Muito nos temos questionado sobre que grupos apoiam o Presidente e que grupos lhe são, explicita ou implicitamente, antagónicos. Ficamos a saber que esta clarificação se fará ao longo deste ano, que ainda não está feita. O Presidente precisa de apoios mais definidos, que os grupos de interesse clarifiquem o apoio que lhe dão ou não, e, nesse contexto, a sua base de apoio está ainda em construção, em transição, e talvez só esteja consolidada em finais de 2019. O poder popular está fixado, o que falta ainda é o apoio dos grandes grupos.

As progressões dos astros indicam que o Presidente vai no sentido da renovação, do progresso, da transformação. João Lourenço está num processo interno de consolidação de valores. “Se ele é um Peixes, e vinculado à sua ligação com o todo, no sentido de uma visão espiritual da vida, os interesses colectivos estão acima dos interesses pessoais, mas depende como está polarizado”. O ano de 2019 é, para João Lourenço, um ano para consolidar apoios, os obstáculos que tem fazem parte do percurso, mas nada que o impeça de consolidar a sua imagem no exterior.

É ainda possível que o Presidente de Angola, entre o final de 2019 e o final de 2020, possa vir a liderar um projecto mais abrangente no contexto do Continente africano. “Tem carisma e Marte na casa 10, o que lhe dá capacidade de iniciativa e de liderança, e neste momento é bem visto, do ponto de vista global, pelas reformas que está a fazer”. A primeira fase da vida do Presidente foi mais recatada, a segunda está mais ligada à transformação social. O seu percurso arrancou por volta dos 45 anos, e começou com um apelo partidário. Ainda que em 2001, 2002 tivesse sentido dificuldades devido ao trânsito de Plutão com conjuntura ao Sol e à Lua, mas é Peixes, um signo habituado às dificuldades e ao sofrimento.

E desde muito cedo, João Lourenço teve de lutar a pulso para conquistar o que pretendia, foi alguém que cresceu sem grandes apoios, galgou por si mesmo, acreditando na sua visão e no seu próprio percurso. É um homem que tem alguns amigos, poucos e seleccionados. De acordo com a tipologia de Peixes “não estamos perante um homem de estabilidade, estamos perante um homem de transformações, de um homem dado a paixões e a emoções fortes, de visão larga, uma pessoa inquieta, mas inquieta com um sonho e uma visão, daí o carisma, a ideia de um estadista com um projecto para o país”.

Os astros indicam um certo exílio em relação à família, o meio familiar sofreu alguma erosão e o conceito de família é hoje para João Lourenço mais abrangente, um conceito que se confunde com ‘mátria’, com a Nação. Há ainda uma outra particularidade assinalável na sua personalidade, para João Lourenço não importa tanto o que os outros ou o grupo lhe dão, mas mais o que ele tem para dar aos outros e ao grupo, ainda que primeiro tenha tido necessidade de consolidar as suas convicções. De acordo com os astros, estamos perante um líder, um homem consistente com um percurso ascendente, comparável a Nelson Mandela pela força interior e resistência que foi consolidando ao longo dos anos.

E hoje a análise foi astrológica. Na próxima semana prosseguimos com a realidade

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