As caravelas do progresso

Lembrou que em matéria de economia internacional é raríssimo um Estado em acordo com outro decidir pagar mais de dois terços conforme está acontecer

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António Pedro 

Há centenas de anos a vinda de caravelas, sim, aquelas embarcacões de velas latinas que serviam nas primeiras expedições marítimas dos portugueses, tinham um significado negativo quando atracassem a Ilha das Cabras (actual Ilha de Luanda) ou outro ponto do território que hoje é Angola. Não eram caravelas que traziam investimentos, parcerias privadas e até público-privadas, nem tão pouco a amizade, a cooperação no campo político, económico e social, da época. As caravelas dos grandes navegadores dos descobrimentos, como Diogo Cão, Paulo Dias de Novaes, ambos fidalgos da Casa Real, e de outros como Bartolomeu Dias que navegaram mais ao sul de África, não traziam uma dimensão político-diplomático, económico-comercial e social de cooperação entre a antiga Metrópole e os Reinos que constituíam Angola. Hoje é bem diferente. Se Marcelo Rebelo de Sousa tivesse que atracar em Luanda numa caravela, os angolanos saberiam de antemão que nelas haveria intenções de parcerias win-win, nos campos da saúde, da educação, da agricultura, do turismo, a julgar pelas palavras do próprio presidente de Portugal, no Palácio da Cidade Alta, que houve vontade política do Presidente Lourenço com o objectivo de reforçar os laços entre os dois países, para se olhar para um futuro melhor. Marcelo diz que a relação hoje ultrapassa a amizade, vai além da cooperação, tornando-se em Parceria Estratégica que cobre desde as políticas assumidas por ambos, quer ao nível da CPLP, quer ao nível da Nações Unidas. Marcelo, de forma insistente, reforçou muito na vontade política demonstrada por Angola nos últimos seis meses, ao justificar o facto de 60 por cento da dívida do Estado angolano para com empresas portuguesas estar em fase de pagamento. Lembrou que em matéria de economia internacional é raríssimo um Estado em acordo com outro decidir pagar mais de dois terços conforme está acontecer. “No mundo…não existe isso!”, valorizando o papel de João Lourenço nesse processo. Os 11 protocolos assinados, bilateralmente, em diferentes domínios da vida política e económica, traduzem, sim, as caravelas do progresso.

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