João Lourenço, general, diplomata. E Presidente.

É o quinto elemento na liderança do MPLA, terceiro na liderança do país, um social-democrata que quer reescrever a história buscando parcerias.

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Eugénio Guerreiro

João Manuel Gonçalves Lourenço é o terceiro Presidente da República de Angola. Com 65 anos de idade, completados na última terça-feira, dia 5, nasceu na cidade do Lobito, mas ainda durante a primeira infância mudou-se para o Bié, onde cresceu e estudou.

Já na adolescência, veio para Luanda, algures na Vila Alice. Integrou as fileiras das FAPLA e fez carreira militar, tendo ocupado várias funções. Foi comissário (hoje governador) em Benguela e Moxico. Casado com Ana Dias Lourenço, tem seis filhos. Foi sempre conhecido pela sua determinação e ousadia. Não vira a cara à luta. Frontal e camarada, gosta de uma boa gargalhada, mas assume-se como um homem comedido e reservado, limitando-se a anotar na sua caderneta o que foi ocorrendo nos últimos anos.

No fundo, João Lourenço sabe bem o que deve evitar, a bem da sua carreira, para si, mas principalmente para os filhos e familiares directos. Não se lhe conhecem episódios de ostentação, pelo contrário, esteve sempre no seu canto, como um felino à espera da sua hora para atacar, neste caso, a cadeira máxima do País… e do partido. Ao contrário de outros, revelou sempre publicamente esta ambição, e há quem diga que isso foi determinante na sua escolha.

De resto, é um político com experiência nas casernas militares, onde é igualmente respeitado. João Lourenço, desde a pré-campanha eleitoral, criou uma surpreendente aproximação com as pessoas. Viajou por todas as províncias e falou com as pessoas. Homem deste tempo, criou uma página no Facebook que foi a mais popular do País e por meio da qual interagiu, diariamente, com os cidadãos e eleitores. Sabe que s políticos vivem do contacto directo com os cidadãos e não do afastamento do povo, como se de descamisados se tratassem, descamisados que tinham apenas valor na hora do voto. Por isso, retirou as barreiras da Presidência que dificultavam o contacto com as pessoas. As suas saídas, ao contrário do que sucedia com José Eduardo dos Santos, deixaram de ser um factor de caos no já, de per si, caótico trânsito em Luanda. Também diminuiu o número de tropas altamente armados da UGP nas ruas. Onde estas mudanças são também muito visíveis é nas cercanias do Palácio Presidencial, em especial para os fiéis da Igreja de Jesus. “As diferenças para os nossos fiéis, e mesmo o comportamento da tropa, desde a chegada de João Lourenço, são demasiado visíveis”, revela um prelado daquela comunidade católica.

Tem menos tempo para socializar, mas esperemos que consiga preservar esse contacto directo com os cidadãos e tornar-se também um Presidente de afectos. Isso faz toda a diferença se quiser ser reeleito”, defende fonte governamental. Antigo praticante de karaté, sabe-se, o Presidente João Lourenço pratica spinning, é um bom leitor e apreciador de música angolana. O general João Lourenço tem uma identidade própria, o que lhe dará energia para enfrentar os desafios espinhosos, mas alcançáveis. Será importante a clarificação da estratégia, das metas e perseverança no foco. O potencial de Angola tem de se coadunar com a realidade. Tornar a sua utopia realidade.

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