Diploma vs. emprego para historiador (II)

“Enfrentaremos uma ‘guerra de geração’ nas nossas próprias casas, e se calhar não conseguiremos pagar propinas para alguns filhos (delegando essa responsabilidade aos terceiros)”.

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Por Patrício Batsîkama

Historiador

Acordar muito cedo, organizar a sua casa, enfrentar engarrafamento, mergulhar no ambiente laboral aguentando os ânimos diferentes, assegurar os estresses de trabalho, regressar para casa com todas dificuldades de todos tipos, encontrar as crianças adormecidas e retomar a rotina no dia seguinte é na verdade uma tortura.

Corremos o risco de não conhecer verdadeiramente os nossos filhos. As vezes pagamos pessoas estranhas para cuidar deles, promovendo crise de valores e ruptura
da herança espiritual dos nossos ancestrais às gerações vindouras.

Ora, se terminarmos a universidade aos 25 anos de idade e, com “mpûngu de Nzâmbi”, conseguir logo emprego e lá permanecer durante 32 ou 35 anos – com inevitabilidade
de conquistar promoções e outras recompensas – beneficiaremos de aposentadoria aos 60 anos de idade.

Nessa altura, teremos filhos com idades rondando entre 15 e 25 anos, e se possível, netos também. Quer dizer, enfrentaremos uma “guerra de geração” nas nossas próprias casas, e se calhar não conseguiremos pagar propinas para alguns filhos (delegando essa responsabilidade aos terceiros). E, corremos o risco dos nossos filhos criados por outras
pessoas nos levar a “casa de idosos”, nos destronando da casaque construímos com muito suor: porque fomos simples patrocinadores e não pai/mãe do seu crescimento.

Geralmente, as pensões têm sido insuficientes, e buscamos consolação em “soft” alcoolismos ou em sedentarismos simbólicos que pouco nos ajudam.

O corpo começa a pagar pelos sacrifícios da juventude, pelo que grande parte desta pensão vai às clínicas onde tratamos da nossa saúde. Pior ainda, somos limitadosa consumir menos sal, azeite doce, mais frutas, evitar alimentos apetitosos
em troca da saúde. Agora imagina quem não tiver pensão!

Pior ainda, quem viveu de “biscatos”. Este é o resultado do “trabalho” como instrumento da tortura com renumeração como contrapartida.

Sou defensor de que sejam incluídas disciplinas de empreendedorismo no Curso de História e vou explicar os benefícios no contexto angolano. É preciso reformula-lo em três aspectos:

(1) algumas das disciplinas técnicas precisam de ser introduzidas,criar os laboratórios e abrir especialidades;

(2) o corpo docente deve ser competente e ser cobrado à produzir junto com os estudantes para melhor treinamento;

(3) os dispositivos programacionais da excelência requerem a redefinição da Filosofia pedagógica da própria universidade.

 

 

 

 

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