A cura do leproso na política

Diz um velho adágio o que arde, cura. O crescimento do país, como um todo, desde a economia ao tecido social, depende de vontade política. Exemplos não nos faltam. Soluções, idem.

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Por António Pedro*  

Mas até quando o Estado vai continuar a manter uma máquina administrativa pesada, que não produz riqueza, consome impostos do petróleo, dos diamantes e de outras ‘commodities’, para a manutenção de suas despesas? Até quando teremos um Estado que tem refém a banca comercial, e a de investimento, com ofertas de taxas acima de 20% nos títulos públicos, proporcionando a consolidação de uma banca indiferente ao investimento as empresas e ao crédito às famílias? Um Estado que vai buscar liquidez à banca, que se apropria da banca, deixando as empresas sem apoio? Um Estado, que apesar de dispor do dinheiro dos impostos – com os quais sustenta a sua máquina não-produtiva nem geradora de riqueza – e assim se mantém, é um Estado que se arrisca, no longo prazo, a deixar o país exangue. O assunto é sério. Há mais de 10 anos que o modelo funciona desta forma, culpa-se a banca que não concede crédito às empresas, ao mesmo que se ignora que é o mesmo Estado que periodicamente vai à banca buscar liquidez através de título atrativos. Há mais de 10 anos que a banca faz crescer os seus lucros graças a uma forte relação com o Estado, enquanto empresas lutam para sobreviver . Temos um Estado ávido, que vai buscar dinheiro à administração fiscal, resultante de receitas ordinárias, e ainda incentiva a banca a dar pouco crédito ao empresariado. A máquina do Estado tudo consome: recursos financeiros das empresas privadas (por via dos impostos) e da banca, para manter-se estável. Os organismos públicos, empresas públicas, institutos públicos, são prova disso. Quem gera empregos e riqueza é o sector privado. O Estado reúne e gasta, gasta e reúne. Por vezes a conclusão de uma reunião é a marcação da próxima e a próxima é para concluir que é necessário viajar ao exterior para participar de formações ou colóquios. Os organismos ligados a produção de café são apenas um pequeno exemplo. Participam nos grandes palcos mundiais sobre políticas do café, mas há décadas que o País está na cauda da produção mundial. O grande desafio da equipa económica do Executivo é emagrecer a máquina que suga os recursos e libertar a banca do Estado para alavancar as empresas, para estas gerarem empregos e aumento da renda das famílias…mas só com vontade política.

*Director do Jornal Vanguarda