Educação: a trave-mestra do desenvolvimento (sustentável)

Num mundo globalizado, onde reina a tecnologia e onde se agravam as desigualdades da qualidade de vida das populações, só a aquisição de um adequado nível de conhecimentos constitui factor de crescimento económico e de desenvolvimento dos povos.

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Por: Filipe Zau*

A propósito de amplo conceito de educação é usual, ouvirmos dizer, que a escola serve apenas para ensinar, já que a educação deve ser dada pelos pais em casa.

Mas, tal não corresponde à verdade. Ao conceito de ensino, enquanto processo de transmissão de conhecimentos, habilidades e hábitos (educação no sentido restrito), deverá ainda a escola associar o trabalho educativo, em estreita colaboração com a família, as igrejas, a comunicação social, as associações da sociedade civil… e o próprio Estado (educação no sentido amplo).

A pessoa, enquanto ser bio-psico-social e ser eminentemente político e cultural, possui várias dinâmicas de interacção: com o seu próprio-eu; com a família, com os amigos; com a comunidade em que está inserida, com os meios de comunicação social; com as novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC’s); com o mundo a que pertence…

Daí que, a escola, como instituição social, tenha a tarefa de, não só, ensinar, mas também, de educar para a vida, concorrendo, assim, para o estabelecimento de indissociáveis alianças, tais como: teoria/prática, escola/família, escola/comunidade, ensino/educação, educação/ética, educação/desenvolvimento…

A educação e a formação de crianças, jovens e adultos será tanto mais eficiente, quanto mais estreitos forem os laços entre escola/família/comunidade.

O desenvolvimento, ao implicar na interiorização de um amplo conceito de educação, tem como fins: o exercício da cidadania, a actividade laboral, afirmação da identidade cultural e o respeito pelas demais, a prática da solidariedade social e internacional.

Num mundo globalizado, onde reina a tecnologia e onde se agravam as desigualdades da qualidade de vida das populações, só a aquisição de um adequado nível de conhecimentos constitui factor de crescimento económico e de desenvolvimento dos povos.

Isto faz com que a educação seja vista a várias escalas de análise, cada uma delas exigindo medidas de intervenção adequadas, já que a chave da alteração de fundo das condições de desenvolvimento de um país se encontra na educação e na formação profissional dos seus recursos humanos.

Assim sendo, há um conjunto de necessidades educativas a serem adquiridas por toda a sociedade e não apenas pelas camadas mais jovens, como, tradicionalmente, vinha sendo considerado.

Podemos englobar as necessidades educativas numa única expressão: Educação para o Desenvolvimento e para a Solidariedade: – Educar para o respeito pelo meio ambiente, de modo a que, o homem possa, de forma mais correcta, tirar proveito dos recursos naturais ao seu dispor, pondo a render as suas potencialidades como pessoa: evitando mortes desnecessárias; prolongando a sua vida com qualidade; escolhendo, de forma crítica e com um estatuto de efectiva cidadania económica,  onde e como quer viver e trabalhar (Educação para o Desenvolvimento); – Educar para a sobrevivência da Humanidade, de modo a que se evitem convulsões sociais, onde se gastam enormes recursos e energias para solucionar problemas evitáveis (Educação para a Solidariedade).

Face às áreas-chave da Educação para o Desenvolvimento, melhor se compreende o papel das instituições de educação e de formação, bem como do professor/formador enquanto promotor do crescimento económico, do desenvolvimento sustentável e, consequentemente, do bem-estar social.

Os três níveis de abordagem em educação. Ainda de acordo com Hermano Carmo, podemos ainda, num outro contexto, encarar as questões educativas a partir de três níveis de abordagem: – Numa perspectiva macro-sociológica, a educação é concebida como uma questão económica e política, quer pela amplitude de necessidades e recursos envolvidos, quer ainda pelos efeitos globais do seu funcionamento; – Numa perspectiva meso sociológica, a educação é entendida como um problema organizacional, uma vez que a gestão dos recursos (humanos, materiais e financeiros) tem efeitos imediatos na eficácia e na eficiência do processo educativo; – Numa perspectiva micro sociológica, a educação é entendida como um problema psico social, uma vez que o processo educativo resulta de relações interpessoais, estabelecidas entre os diversos protagonistas envolvidos no processo.

* PhD. em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais.

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