Veneza acolhe encontro da Câmara de Comércio e Indústria Angola-Itália

Angola pode encontrar na Itália a fórmula para diversificar a economia, dependente do petróleo, enquanto os empresários italianos podem entrar num mercado ainda por se explorar pelas grandes economias europeias.

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Por Fernando Baxi 

Empresários angolanos e italianos vão estar reunidos num fórumempresarial, na cidade de Veneza, em Maio de 2019, no âmbito da Câmara de Comércio e Indústria Angola – Itália (CCIAI), informou Joaquim Santos, que falou em exclusivo ao Jornal Vanguarda.
Associação Cristã de Gestores e Dirigentes (ACGD), subordinado ao tema “Criação da rede do pacto global das Nações Unidas em Angola” disse ainda que vinte empresários já confirmaram a participação no fórum a decorrer na cidade italiana de Veneza.

“O número de empresários angolanos interessados a participar do evento poderá ultrapassar a cifra dos cinquenta, face ao trabalho de divulgação que começará a ser feita nos próximos dias”,garantiu o presidente da organização criada em Novembro de 2018 com intuito de facilitar os negócios entre entes privados angolanos e transalpinos.

A parceria com empresários italianos é estratégica, inclusive no sector da distribuição, esclarece Joaquim Santos, porque há intenção, no curto prazo, de alargar a oferta de bens nos supermercados e nas grandes superfícies comerciais,onde grande parte dos produtos comercializados são importados de Portugal,o fornecedor tradicional do País.

“Queremos alargar a malha de distribuição de produtos nos nossos supermercados. Vai gerar competitividade, resultando em custos baixos, inclusive para o consumidor final”.
A relação entre os empresários dois países, no âmbito da Câmara de Comércio e Indústria será profícua para ambas as partes, acredita Joaquim Santos, sobretudo no domínio da indústria transformadora, comércio, agricultura e turismo, sectores em que os transalpinos são, reconhecidamente, fortes.

Angola também vai aproveitar a experiência da Itália em relação às pequenas e médias empresas, como explicou o chairman da CCIAI, pelo facto de ser uma economia que alcançou a sustentabilidade ao longo dos tempos, arregimentando as duas unidades económicas, através de políticas e mecanismos exequíveis.

“Embora a Itália seja um dos países mais industrializados do mundo e integrante do G8, a economia está assente em pequenas e médias empresas. Pensamos que o futuro de Angola deverá passar por este caminho”.

Apesar da industrialização, a Itália encontra muitas dificuldades para se impor ou dominar o mercado europeu porque está saturado. Na perspectiva de Joaquim Santos, Angola poderá ser vantajosa por ser ainda um mercado virgem, relativamente ao investimento dos gigantes económicos do velho continente.

“Neste momento estamos a trabalhar com uma empresa italiana de queijo que se quer implantar em Angola. Outros querem produzir tomate em Angola. Estamos a falar de uma série de pequenas indústrias, não precisamos trazer só grandes fábricas”.

Trocas comerciais Angola – Itália

Dados divulgados pela Agência de Investimentos Privado e Promoção das Exportações (AIPEX) apontam que as trocas comerciais entre Angola e Itália em 2018 estão avaliadas em cerca de 1,3 mil milhões USD.

Angola exportou petróleo no valor de 1,1 mil milhões USD, enquanto a Itália forneceu máquinas e equipamentos que custaram 341 milhões USD. Apesar do grupo italiano Inalca está já a operar no País há algum tempo, até finais de 2018, aquele organismo do Estado não tinha recebido a proposta de investimento de empresários transalpinos.
Ainda assim, as empresas italianas Cavanor, Novafruit e Apofruit manifestaram o interesse de comprar bens agrícolas em Angola. As frutas tropicas são as principais apostas dos italianos, tais como, manga, abacate, ananás, caju e outros.