A curva apertada de Chivukuvuku

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António Pedro, director  

Na próxima segunda-feira, 15, Abel Chivukuvuku terá uma nova formação política legalmente reconhecida pelo Tribunal Constitucional. Em Agosto passado demos a estampa, aqui, que a CASA-CE estava à beira do precipício. Que qualquer passo em frente seria na direcção do abismo. E o descalabro tinha um nome: Abel Chivukuvuku.

A travessia pelo deserto, entenda-se CASA-CE, fez com que o expulso líder da coligação percebesse que de pouco lhe vale o carisma, o talento político e a capacidade para falar do que os angolanos querem ouvir, sem uma estrutura partidária digna desse nome. Dissemos aqui, há oito meses, que o político em questão sempre esteve preso a uma de duas soluções – e as duas sempre foram más: ou aproveitaria o acórdão do Tribunal Constitucional e partiria para a formação de uma nova força partidária (que estava a elaborar em tentativas como o Podemos-JA e o DIA, que na altura tiveram um efeito contrário), deixando demasiadas contas pendentes – políticas, principalmente; ou manteria tudo como estava, ferido de (quase) morte na sua dignidade e legitimidade, no esforço hercúleo de coser a manta de retalhos em que se havia transformado a CASA-CE.

O anúncio da criação de uma nova força política eleva o ânimo de Abel de vir a disputar o poder com João Lourenço, caso concorra para um segundo mandato, e com quem surgir na liderança UNITA, em 2022. Será que Abel aprendeu a lição, após uma curva muito apertada para a constituição da CASA-CE para ser a todo o custo o presidente da República?

O primeiro pecado de Abel foi acreditar que, com uma manta de retalhos política, poderia formar com êxito uma coligação de partidos capaz de vencer eleições e chegar ao Palácio da Cidade Alta para governar o País. O ex-líder da CASA-CE foi mais arrebatado do que estratego. Volto a arriscar que Chivukuvuku foi mal aconselhado quando decidiu unir-se a partidos inexpressivos. O segundo pecado é consequência do primeiro, e foi ter escolhido partidos sem um programa de governo estruturado, sem políticas públicas concretas de governação. O terceiro, e apesar de ser inteligente e muito seguro de si – o que o cega – o ego é elevado: fez uma péssima gestão da sua liderança carismática. Diz um velho adágio que um bom general com tropas mal treinadas perde a guerra. E foi o que aconteceu na coligação. Para ser Presidente da República, juntou-se a partidos sem definição de expectro político – do centro-esquerda ao centro-direita. Foi incapaz de governar a CASA, mas como não é de atirar a toalha ao chão, reergueu-se. Será que aprendeu a lição?

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